Marcelo AlmeidaO perito contábil Marcelo GomesA maioria das empresas privadas do País pode estar perdendo até 6% de seu faturamento anual com fraudes e corrupção interna dos próprios funcionários, gerente ou diretores. Os números foram levantados pela GBE Peritos & Investigadores Contábeis - grupo pioneiro em consultoria e investigação - em uma pesquisa feita nas 1,5 mil maiores empresas do País. Os resultados surpreenderam até os empresários, que trabalhavam com a hipótese de estarem perdendo no máximo 1% do faturamento com operações fraudulentas.
O trabalho da GBE foi feito nos últimos 18 meses. As empresas foram escolhidas a partir do ranking das ‘‘500 Maiores e Melhores da Revista Exame’’ e da relação dos ‘‘300 Maiores Grupos Privados do balanço anual da Gazeta Mercantil’’. A GBE consultou os empresários e conseguiu mostrar que a fraude atingia volumes acima do que apontavam as auditorias internas.
‘‘Uma auditoria não consegue levantar até onde vai a fraude empresarial’’, afirmou o representante brasileiro da Associação de Investigadores de Fraudes, Marcelo Gomes. Nas na maioria dos países europeus e nos Estados Unidos o índice de fraude chega a 7%. Baseado nestes números, ele diz que o Brasil não poderia ser uma ilha de honestidade para ter taxas tão baixas de corrupção, como o 1% normalmente constatado pelas auditorias.
Responsável pela GBE, Gomes esteve ontem em Curitiba para dar um curso a executivos de empresas públicas e privadas. A empresa atua nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará. Segundo Gomes, até 45% das fraudes acontecem nos setores de compras. Em seguida aparece a área de finanças de uma empresa, com 30% dos desvios.
A pesquisa aponta que somente 1,8% dos fraudadores ocupam cargos de diretoria. Onze por cento são gerntes e a grande maioria, ou seja, quase 89% são funcionários. Mas muitas vezes o roubo cometido por um gerente ou diretor acaba resultando num prejuízo maior do que o crime cometido nas escalas mais inferiores da hierarquia empresarial. Gomes já apurou casos onde a fraude chegou a R$ 1,6 milhões.
Pela análise de Gomes, o número de operações fraudulentas nas empresas tem apresentado crescimento. Em 1993, quando começou a investigar caso de fraudes, a GBE recebia três consultas mensais. Nos últimos meses, tem recebido 10 consultas por semana. A Associação de Investigadores de Fraudes estima que as empresas que trabalham com investigação de corrupção empresarial chegarão no ano 2.000 com um faturamento de US$ 4,6 bilhões. Hoje, elas faturam 50% deste total.

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