A adoção de planos com franquia de dados, conforme pretendida pelas empresas prestadoras de serviço, pode encarecer a cobrança do serviço para os consumidores. Enquanto a medida é vista como uma reação a serviços "over-the-top" (OTT), como Netflix e Youtube, considerados algozes de espectadores da TV paga, também seria uma forma de ratear os valores de investimentos em infraestrutura.
Entretanto, há quem considere que a medida pode valorizar a pirataria, já que pode inviabilizar serviços de streaming, cada vez mais comuns, e até a educação à distância, também bastante adotada atualmente. As empresas que pretendem implementar planos de franquias – Vivo, Oi e Net/Claro – também comercializam serviços de voz, SMS e tevê paga, que acusam serviços como o Netflix e Whatsapp de atuarem em seus ramos sem darem retorno por isso.
O modelo de cobrança atual tem como referência a velocidade que os dados são entregues ao usuário, sem se importar com o volume de tráfego. Pelo sistema de franquias, ao fim da contratação, o serviço tem a velocidade reduzida ou é encerrado após o consumo total, necessitando a contratação de dados complementares.
Nos planos oferecidos, por exemplo, um com conexão de 1 megabit por segundo (Mbps) terá franquia de 10 gigabytes (Gb). Se um filme no Netflix tem, em média, 1,1 Gb, a franquia só permite ver nove filmes – e mais nada. Porém, quanto mais rápida a velocidade, mais rápido se esvai as franquias oferecidas, afirmam especialistas em tecnologia da informação (TI).
Sem entrar na briga entre as operadoras e serviços OTT’s, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, recorda que as redes atuais têm uma capacidade limitada de largura de banda e que os aplicativos consomem cada vez mais internet. "É preciso entender que precisa haver investimentos em redes e a Anatel precisa olhar o equilíbrio de mercado para que não haja um desestímulo ao investimento de rede. Precisa aumentar a capacidade, que só será aumentada se houver expectativa de retorno", afirma.
Ele ainda recorda que a cobertura ainda é falha em vários locais, como em pequenos distritos ou na região Norte, onde o acesso à internet é feito principalmente por redes móveis. (L.F.W.)

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