Franquias cresceram menos em 2003
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de junho de 2004
Marcia Furlan<br> Agência Estado 
São Paulo - O sistema brasileiro de franquias perdeu fôlego em 2003. O número de redes em operação registrou crescimento de 4%, com acréscimo de apenas 28 empresas. Em 2002, o aumento tinha sido de 8%, o que significou o surgimento de 50 franqueadoras. Também a expansão das empresas já estabelecidas ficou represada. Foram abertas apenas 564 unidades no ano passado, contra 5 mil no ano anterior. O crescimento do volume de pontos-de-venda, que tinha sido de 10% em 2002, foi de 1% em 2003.
No ano passado prevaleceu a cautela dos eventuais investidores, neutralizando o efeito que as crises econômicas normalmente exercem sobre o sistema: o desemprego aumenta a quantidade de candidatos a franqueados e a falta de recursos leva as empresas a tentar a expansão por esta via. Mas nem um nem outro efeito ocorreu desta vez. ''A falta de confiança no rumo do País inibiu os negócios'', definiu o consultor de franchising, Marcelo Cherto, do Instituto Cherto.
O principal entrave foram as dúvidas acerca do retorno dos investimentos. Além do sumiço dos consumidores, que afetou diretamente o faturamento, a margem de lucro dos negócios também foi alterada pelas mudanças na área tributária. As novas regras da Cofins e a inclusão do sistema de franquias na cobrança do Imposto sobre Serviços (ISS) modificaram os cálculos sobre a rentabilidade das operações, afugentando os investidores.
A restrição de renda prejudicou principalmente os segmentos de roupas, calçados e acessórios, cujas redes perderam em média 2% do faturamento, mas favoreceu setores que estão atuando neste momento como ''compensadores'' para um período de privações. É o caso das franquias de perfumes e cosméticos, assim como de artigos esportivos, que registraram 29% de aumento de vendas.
Por outro lado, o aperto de 2003 traz prognósticos mais positivos para este ano, pois as empresas não conseguem reter investimentos por muito tempo. A tendência é de que os projetos saiam da gaveta. Desde abril, segundo Cherto, nota-se movimentação das empresas em retomar planos paralisados. Os sinais mais fortes devem aparecer no segundo semestre, acredita ele.
Apesar do cenário desfavorável, o sistema de franchising encerrou 2003 com crescimento nominal de 4% do faturamento. O resultado é considerado positivo ante os números registrados por diversos setores econômicos.


