Franquias crescem quase 9% no Paraná no primeiro trimestre
Segmento de saúde, beleza e bem-estar registrou a maior participação, com quase 25% do total, e faturamento de R$ 1,366 bilhão no período
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Segmento de saúde, beleza e bem-estar registrou a maior participação, com quase 25% do total, e faturamento de R$ 1,366 bilhão no período

Desde julho de 2025, o setor de franquias cresceu cerca de 33% no Brasil. Por três trimestres consecutivos, a expansão ficou na casa dos 10% e, somados todos os segmentos, o faturamento acumulado em 12 meses foi de R$ 308,4 bilhões. Somente no primeiro trimestre deste ano, a receita do setor de franquias como um todo totalizou R$ 72,7 bilhões, resultado da alta de 10,7% na comparação com o mesmo trimestre em 2025. O Paraná se destaca no ranking nacional, figurando na quarta colocação, com alta de quase 9% no faturamento, chegando a R$ 5,25 bilhões.
Os dados fazem parte da Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor de franquias feita pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), que destaca o potencial de expansão no país. Um dos parâmetros utilizados para demonstrar o tamanho do espaço que as franquias ainda podem ocupar é o mercado norte-americano. Enquanto o Brasil movimenta US$ 55 bilhões anuais, nos Estados Unidos esse valor se aproxima de US$ 1 trilhão. “Nos EUA, cada shopping tem, mais ou menos, 60% a 70% de lojas de grandes marcas ou franquias. No Brasil, esse percentual chega próximo de 40%. Ainda tem muito a crescer”, apontou o diretor da Regional Sul da ABF, Leonardo dos Anjos. “E todos os países mais desenvolvidos do mundo estão indo pelo mesmo caminho, é natural. Na própria América Latina isso também está acontecendo.”
O sucesso desse modelo de negócio, avaliou o diretor, se explica pelas vantagens de se investir em um projeto já consolidado, testado e aprovado e que oferece ao empreendedor todo o apoio, desde a escolha do ponto até as campanhas de marketing e publicidade.
Segundo a pesquisa da ABF, as lojas de rua concentram o maior número de operações das redes de franquias, com 60% de participação. Os pontos localizados em shopping centers vêm em segundo lugar, com 17,3%, seguidos das operações home based (10,3%), termo em inglês usado para denominar as atividades que funcionam na residência do franqueador.
Nos últimos cinco anos, o setor de franquias registrou uma expansão de 82,2%, saindo de um faturamento de R$ 39,9 bilhões no primeiro trimestre de 2021 para quase R$ 73 bilhões entre janeiro e março de 2026. A ABF avalia que a manutenção da massa de rendimentos dos trabalhadores em trajetória positiva foi um dos fatores que contribuíram para resultados tão expressivos.
Outro dado que mostra a força do setor é o saldo positivo entre abertura e fechamento de empresas franqueadas. No primeiro trimestre deste ano, o índice de abertura foi de 3,1%, quase o dobro da taxa de fechamentos, que ficou em 1,6%. Assim, o saldo ficou positivo em 1,5%. Os repasses de unidades representaram 0,8%.
A variação positiva registrada no período corresponde a um acréscimo de 6.178 unidades franqueadas no país sobre os três primeiros meses do ano passado. Com esse aumento, o país soma 204.908 operações.
PARANÁ
No Paraná, embora o crescimento do setor de franquias no primeiro trimestre deste ano tenha sido mais baixo do que o índice nacional, quando comparado a igual período de 2025, o resultado foi significativo, com alta de 8,9% no faturamento. Com 14.800 unidades em operação, o setor movimentou R$ 5,25 bilhões nos três primeiros meses do ano, resultado que coloca o Estado na quarta posição do ranking nacional tanto em faturamento quanto em número de franquias, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, nesta ordem. São Paulo responde por um terço da receita total do setor de franquias no país, somando R$ 24,71 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Segundo Anjos, as micro franquias, que demandam investimento inicial entre R$ 3,9 mil e R$ 135 mil são as que mais crescem no país. A maioria delas funciona pelo sistema home based ou digital.
O segmento de saúde, beleza e bem-estar lidera entre as franquias instaladas no Estado. Com 2.619 unidades, a participação no setor é de 24,6%. No primeiro trimestre de 2026, o faturamento foi de R$ 1,366 bilhão. Em quatro anos, o crescimento desse segmento foi de mais de 131%. No primeiro trimestre de 2022, a receita acumulada foi de R$ 590,43 milhões.
Em seguida, estão as marcas incluídas em serviços e outros negócios, que no primeiro trimestre deste ano tiveram participação de 15,7% e faturamento acima de R$ 751 milhões, e as lojas de alimentos food service, com 15,5% de participação e receita de mais de R$ 821 milhões no período.
“O Paraná tem um crescimento muito grande muito em razão do desenvolvimento do interior do Estado. Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu têm um amplo crescimento de habitantes e de renda. Cada vez mais, as franquias têm olhado para essas cidades, têm fugido das capitais e ido para o interior porque é mais fácil crescer em porcentagem nas regiões menores”, disse Anjos.

Fundada em Londrina há seis anos, a rede de intermediação de venda de veículos seminovos Vaapty desenvolveu um modelo de negócio que não necessita de estoque. O franqueado faz a ponte entre os proprietários dos veículos e as revendedoras. O CEO, Miguel Henrique de Souza, atribui a esse formato o sucesso do empreendimento. “Tem baixo custo operacional, diferente de uma revenda de carros. Não precisamos ter estoque. O custo é só com funcionários. Uso dinheiro do investidor e fico com o spread (margem de lucro). Não sofro com a volatilidade do mercado”, comentou. “O mercado de carros aumentou muito, o que auxiliou o crescimento rápido da marca, mas nosso modelo funciona tanto em um mercado em ascensão quanto em um mercado em crise porque não investimos em ativos.”
A Vaapty oferece duas modalidades de investimento. Uma delas, que permite vender até 30 carros por mês, exige investimento de R$ 250 mil. A outra modalidade demanda um investimento maior, de R$ 350 mil. A expectativa de breakeven, o equilíbrio entre receita e despesa, é de até três meses e o de retorno, de até seis meses. Dependendo do modelo escolhido, os custos de manutenção do negócio variam de R$ 30 mil a R$ 60 mil. “O franqueado que vende 14 veículos, já paga os custos”, calculou Souza.
Em seis anos, a marca contabiliza 186 unidades ativas, outras 70 vendidas e a expectativa é encerrar 2026 com 300 lojas inauguradas. A cada mês, são comercializados 3,6 mil veículos. Embora a maioria delas esteja localizada no Sul do país, a rede começa a se espalhar por outras regiões, com praças fechadas em Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás. No ano passado, a movimentação financeira da rede foi de R$ 1,5 bilhão com as franquias.

O engenheiro eletricista Dennes Delano atua há quase 30 anos na área de manutenção de aparelhos hospitalares e estéticos, mas sentia a necessidade de diversificar seus investimentos e o desejo era iniciar alguma atividade no comércio. Inicialmente, ele avaliou as possibilidades no segmento de alimentação, mas no final do ano passado, durante uma viagem a Goiânia (GO), conheceu a marca carioca Fuel Eyewear, especializada em óculos. “Já tinha visto quiosques em shopping centers e aeroportos, mas em Goiânia precisei de uns óculos de sol. Gostei do formato, do produto, achei os preços competitivos e tive a ideia de trazer para Londrina.”
Em março deste ano, Delano inaugurou o quiosque de seis metros quadrados no Catuaí Londrina Shopping, um investimento de R$ 150 mil com payback esperado para 18 a 20 meses. “Como sempre atuei em serviços, pensei em franquia porque eu precisava do know-how de uma franqueadora. E ela me apoiou em todas as etapas do processo, fui muito bem assessorado.”
Perto de fechar o terceiro mês de funcionamento, Delano está satisfeito com os resultados. “Imaginava que pelo Catuaí ter uma demanda maior, eu tivesse números mais expressivos no início, mas a franqueadora havia me apresentado números mais realistas e os resultados estão de acordo com o projetado pela franquia. A loja já se pagou. Tenho gostado da experiência e já penso em abrir uma segunda unidade em outro shopping de Londrina e também em Maringá e, talvez, no Aeroporto Afonso Pena (em São José dos Pinhais). Mas tem que ser passo a passo”, planeja.
Franquias impulsionam mercado de trabalho
O Brasil registra baixo nível de desemprego. No trimestre encerrado em abril de 2026, a taxa de desocupação no país era de 5,8%, a menor para o período de fevereiro a abril na série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em 2012. O Paraná acompanha essa tendência, com o quarto índice de desemprego mais baixo entre todas as unidades da federação. Entre janeiro e março deste ano, segundo a PNAD Contínua, o Estado registrou taxa de desocupação de 3,5%, o menor índice da história para o período.
A pesquisa Trimestral de Desempenho da ABF (Associação Brasileira de Franchising) aponta o tamanho da contribuição das redes de franquia para o nível de empregabilidade. Entre os cerca de 49 milhões de brasileiros com carteira assinada, 1,788 milhão são contratados por unidades franqueadas, o que corresponde a 3,64%.
No Paraná, entre os mais de 3,28 milhões de profissionais contratados pelo mercado formal, quase 130 mil trabalham em redes de franquias, o que representa em torno de 4% do total. “O grande negócio das franquias é que todas têm treinamento específico e acaba se formando pessoas mais capacitadas”, avaliou o diretor da Regional Sul da ABF, Leonardo dos Anjos.(S.S.)


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


