Imagem ilustrativa da imagem Franquias avançam para o interior
| Foto: Celso Pacheco
Fernando Massi, fundador de uma rede de consultórios odontológicos: interiorização reduz custos operacionais



O crescimento do poder de compra da classe C, aliado à alta imobiliária dos grandes centros e à busca por novos campos de atuação, faz com que as redes de franquia passem a surgir e a mirar cidades do interior de pequeno e médio porte. Para ingressar neste mercado, as redes de franquias de Londrina adequam seus modelos de negócio para ir atrás de onde estão os clientes.
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), as operações das franquias se espalhavam, em 2015, por 1.939 cidades com até 100 mil habitantes (86%) e 304 de porte maior (14%). Entretanto, as unidades ainda se concentram nos centros maiores: 67.113 lojas operam nas cidades de grande porte, contra 11.630 espalhadas nas de porte menor.
A ABF representa 1,2 mil marcas de franquia das cerca de 3 mil existentes no Brasil, segundo estimativa da própria associação – cinco das associadas estão em Londrina. A diretora regional da ABF Sul, Fabiana Estrela, afirma que os negócios surgiram focando nas cidades maiores, devido à demanda existente nos grandes centros, para depois buscar novos mercados em cidades menores, em um "movimento espiral" de expansão.
A chegada dessas marcas a cidades menores ocorre devido ao movimento migratório para municípios pequenos, por pessoas que construíram carreiras em grandes centros e resolvem buscar mais qualidade de vida no interior, assim como os que não querem sair dos locais pequenos e buscam uma alternativa de negócio. "São pessoas que descobriram no franchising uma oportunidade financeira. São marcas que os consumidores desejam, mas nem sempre querem se deslocar atrás deste consumo", avalia Estrela.

Perfil adequado
Percebendo essa tendência, as marcas com mais tempo de estrada chegaram à conclusão de que deveriam criar modelos que exigissem investimentos adequados ao perfil das pequenas comunidades.
Mirando inicialmente os centros acima de 200 mil habitantes, algumas marcas já têm modelos para populações bem mais reduzidas. "Antigamente, brincava que as cidades pequenas tinham, em volta da praça, uma agência do Banco do Brasil, uma dos Correios e uma loja do Boticário. Atualmente, tem Cacau Show, concorrentes do Boticário e escolas de idiomas, que são bastante presentes no interior", diz a diretora da ABF Sul.
Entre os modelos, estão serviços médicos e odontológicos, lojas de roupas, locadoras de veículos, lojas de conveniência de postos de combustíveis e salões de beleza, entre outros. Os custos de franquia também reduzem consideravelmente, mas dependem do perfil econômico de cada cidade.

Adequações
O Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac) saiu de Londrina para espalhar-se por 98 municípios de 23 Estados brasileiros, em cidades com mais de 200 mil habitantes. Porém, a demanda em municípios menores e o aumento do poder aquisitivo da classe C fizeram com que a rede mirasse municípios menores, a partir de 70 mil habitantes, num plano de expansão que já se iniciou no Paraná. "O que nos trouxe essa motivação foram os resultados excelentes obtidos nas franquias de Campo Mourão e Arapongas", conta o gestor da área de expansão da rede, Dário César Couto Caló.
O Cebrac trabalha com ferramentas de geomarketing que medem o perfil e as características do município, atribuindo notas de 0 a 10 para fatores como o percentual de moradores enquadrados na classe C e de trabalhadores no comércio – pelo menos 25% da mão de obra da localidade devem estar empregadas no comércio, afirma. O investimento chega a R$ 230 mil, entre taxa de franquia, mobiliário e capital de giro para os cerca de oito meses necessários para alcançar o ponto de equilíbrio financeiro, mas não incluem os gastos com adequação de imóveis, que variam a cada caso.

Parcerias
Com 15 anos de mercado, a Ortodontic Center elegeu um modelo ideal de franquia que cabe em cidades a partir de 100 mil habitantes, mas localidades com população a partir de 50 mil moradores já podem ser estudadas, de acordo com o fundador, Fernando Massi. "Nosso negócio tem que caber na localidade", afirma.
A rede de consultórios opera em imóveis entre 100 m² e 120 m², com quatro cadeiras odontológicas. Segundo Massi, a preferência é que os dentistas sejam contratados e não proprietários do negócio. O rendimento médio é de R$ 44 mil mensais líquido, conta ele, mas os investimentos chegavam a R$ 700 mil.
A maior parte do valor era gasto na adequação do imóvel. "Nós, então, passamos a fazer parcerias com investidores do ramo imobiliário", afirma – o retorno médio de investimentos no ramo é de 1,4%, segundo o fundador da franquia.
Com isso, o investimento inicial, com taxa de franquia, aquisição de equipamentos de alta depreciação e capital de giro, caiu para R$ 70 mil. Além de aumentar o número de candidatos a franqueados, a interiorização da rede também reduz custos operacionais, já que o consultor consegue atender mais unidades a com menos gastos de pouso e alimentação.
Mais nova, a Buzz Marketing Digital e Franquias iniciou seu projeto de franquias com o site Seu Evento, voltado para festas de casamento e vida noturna de cidades. O modelo, entretanto, limitava a entrada em localidades menores, com vida social menos agitada. Da necessidade de interiorização, surgiu a ideia do site O Bom da Cidade, uma espécie de portal de serviços e notícias para municípios a partir de 50 mil habitantes. "É uma espécie de guia oficial", afirma Rafael Grizzo, idealizador das franquias. O grupo ainda tem uma terceira marca, o Click Saúde e Beleza, voltado para profissionais destes ramos, também para cidades maiores. "Franquias de nicho precisam de um público maior", conta.

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