O segmento avícola brasileiro deve se preparar para um aumento de demanda do mercado europeu, ocupando espaços perdidos pela carne bovina com a chamada doença da vaca louca, afirmou ontem o secretário substituto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Rui Vargas. Com a moléstia, foi difundida a idéia, entre os consumidores, de que as carnes de frango e pescado são mais seguras, lembrou Vargas.
O papel do governo, disse o secretário, é trabalhar para dar o visto sanitário ao setor e eliminar barreiras fitossanitárias. No setor avícola, o grande entrave é a doença de new castle, observou Vargas. No Brasil, cinco Estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo – são considerados livres da enfermidade por acordos bilateriais feitos com os países importadores, mas Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal vão receber a mesma classificação sanitária em 2001.
O País deverá declarar-se livre de new castle no próximo ano, disse Vargas, depois de concluir exames em 160 mil amostras de sangue para comprovar a ausência da moléstia. Depois disso, serão abertos mercados na América do Sul, como a Venezuela e Chile, e na Ásia. Os exames serão processados no laboratório de referência do ministério em Campinas (SP) e em outros três estabelecimentos conveniados.
Com a declaração, todos os países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) terão de aceitar o frango brasileiro, explicou Vargas, que participou ontem do VIII Encontro de Qualidade Industrial da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Porto Alegre (RS).
A Asgav informou que as exportações gaúchas devem atingir este ano 206 mil toneladas de carne de frango, ante 198 mil toneladas do ano passado. Até outubro, foram vendidas ao exterior 174,4 mil toneladas, num aumento de 5,51% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor prevê que o Brasil deverá exportar cerca de 900 mil toneladas este ano e atingir 1 milhão de toneladas em 2001.

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