A avicultura do norte do Paraná conquistou mais um espaço para a exportação de frango. As portas que se abriram desta vez foram da Comunidade Européia, o que vai incrementar a produção local e gerar novos empregos. O grupo Big Frango Jandelli, que tem sede em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), é o único da região autorizado a exportar para a Europa. A indústria recebeu a Certificação de Qualidade Internacional concedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), carimbando seu passaporte para o novo destino.
O primeiro lote para a Europa deve sair em setembro, provavelmente para a Alemanha. O presidente do grupo, Evaldo Ulinsk, explicou que agora há a fase ''diplomática''. Bruxelas terá que repassar aos países da Comunidade Européia a informação da Certificação da Big Frango. ''Já estamos negociando com alguns países'', adiantou o presidente.
Ulinsk contou que o trabalho de certificação começou há dois anos e incluiu mudança de postura dos funcionários e compra de novas máquinas e equipamentos. Ele destacou que o mais difícil foi mudar a cultura entre os funcionários. ''Eles não entendiam o porquê de tanta higiene, porque que não podia usar aliança, brinco, nem entrar com objetos na fábrica'', detalhou. Além disso, foram investidos cerca de R$ 10 milhões em equipamentos, adequando a fábrica às exigências da Comunidade Européia. Hoje, é preciso vestir roupas especiais que vão desde as botas até máscaras, toucas e luvas para entrar na área de abate, corte e embalagem. Tudo é constantemente lavado e esterilizado.
A estimativa do empresário é de que até 2007 a indústria abaterá 300 mil aves por dia, número que hoje está na casa de 180 mil. Com isso, ele pretende também aumentar o faturamento da empresa, que gira em torno de US$ 100 milhões anuais. A boa notícia é que novos empregos estão a caminho. A partir do ano que vem começa o trabalho de contratação de mil novos funcionários.
O presidente do grupo Jandelli enumerou várias vantagens na exportação para a Europa. Conforme ele, o frango possui três partes nobres: asa, coxa e peito. A asa já é exportada para a China, o Japão compra a coxa desossada e o filé de peito é a parte preferia na Europa. ''Agora tenho nicho de mercado para as três carnes nobres'', sinalizou. A carne exportada é vendida com valor 50% superior ao comercializado internamente, o que atrai a atenção das indústrias.
A isenção de impostos é outra faceta atrativa no mercado de exportação. Por isso, a Big Frango tem hoje um Planejamento Econômico Tributário (PET). ''Nesse PET, se exportarmos 70% do financeiro, praticamente estaríamos isentos de impostos federais como o PIS e o Confins'', detalhou Ulinsk. Ele completou que esses 70% representam 50% do volume da produção. Com todas essas vantagens, o presidente foi categórico: ''Exportar é um grande negócio.''

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