O rendimento anual de um avicultor no Oeste do Paraná, em média, é de R$ 20 mil, aí incluídos os R$ 15 mil correspondentes a 7,5 lotes de frango e os R$ 5 mil do esterco, que é utilizado como adubo orgânico, pelos cálculos de Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), de Cascavel. O sojicultor tecnificado consegue lucrar 18 sacas por hectare, o que corresonde a renda de R$ 378,00 por igual área, considerando preço de R$ 21,00 por saca.
Diante disso, e manejando os números, Grolli diz que para o agricultor obter renda semelhante à proporcionada pelo frango terá de dispor de área de 50 hectares de soja. No entanto, lembra que, para conseguir terra para formar a lavoura, terá de investir R$ 500 mil, dos quais R$ 350 mil serão imobilizados na compra da área na região, enquanto para a avicultura, se o produtor quiser exagerar no tamanho do lote, a inversão não passará de R$ 100 mil, incluindo o custo de 2 a 3 hectares e a infra-estrutura necessária para a atividade.
O presidente da Coopavel ressalta ainda que as atividades têm riscos diferentes: a soja, por ser uma cultura anual, implica em risco na safra e na cultura implantada, enquanto que o da avicultura é diluído ao longo do ano, de acordo com as retiradas dos lotes de animais. E destaca ainda que o sistema integrado é o melhor que existe para a atividade, como a experiência tem demonstrado.
Diante de um mercado em expansão, ele destaca que o País tem muito ainda a crescer no setor, sem que isso implique em excesso de produção. Despontando em segundo lugar no mundo, em produção e exportação, Grolli destaca vantagens para a atividade nacional, a começar pelo custo, que é bem inferior ao dos Estados Unidos, que lideram o mercado. A avicultura brasileira, que elevou a produção em 50% nos últimos cinco anos, tem potencial para duplicar a capacidade em cinco anos, principalmente estimulada pela abertura das exportações. Segundo ele, em 2001 o País produziu 6,15 milhões de toneladas de carne de frango, superando em 54,32% os 4,05 milhões de toneladas de 96.
As exportações do ano passado foram de 1,25 milhão de toneladas, frente às 906 mil toneladas do exercício anterior, o que representou incremento de 38%. O mercado movimentou, no ano passado, R$ 12,5 bilhões, só considerando o frango, sem incluir os outros itens do agronegócio. ‘‘Além disso, temos de considerar que o mercado interno também tem crescido. A prova disso é que o consumo per capita que, em 1996, era de 22 quilos chegou a 29,5 quilos no ano passado’’, lembra Grolli.
Ele diz ainda que o custo de produção tem feito diferença na conquista de novas fatias de mercado. Segundo o presidente da Coopavel, o quilo de frango vivo brasileiro é de R$ 0,40, enquanto o salário do empregado é de US$ 200 na indústria. Nos Estados Unidos, além do gasto na produção de um quilo de carne ser de R$ 0,46, há ainda desembolso de US$ 1,5 mil em salário do empregado.
‘‘Esses diferenciais nos tornam bastante competitivos’’, explica.
Em termos de qualidade, o frango brasileiro está ômuitas asas# à frente dos concorrentes de outros países. Por exemplo, o País já produz a ave livre de antibiótico, uma exigência dos principais mercados, notadamente o asiático e o europeu.
A Coopavel, pioneira na técnica, produz 30% dos 140 mil frangos abatidos diariamente por este sistema, por encomenda de clientes japoneses, informa Jair Casarotto, gerente de produção avícola da cooperativa. A tendência é elevar esta participação, principalmente por causa das exportações para a União Européia.
Casarotto diz que, ao lado do trabalho que o frango livre de antibióticos dá para ser criado, com índice maior de mortalidade - 3,53% do convencional para 4,79% para o diferenciado -, conversão alimentar menor - 1,97 quilo de ração para um quilo de carne no diferenciado, ante o 1,90 quilo de ração para 1 de carne, no tradicional -, entre outros fatores, há compensações, principalmente o que garante um bônus na comercialização, que varia entre 15% e 20% no preço em relação ao valor do carne do frango tradicional. ‘‘O mais importante é que, com a qualidade, estamos abrindo um nicho de mercado que recompensa essa diferença, ou seja, agregamos valor ao produto pela segurança alimentar que ele repesenta’’, complementa Dilvo Grolli.

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