O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, reafirmou ontem que o governo não mudará o regime cambial brasileiro. Isso não acontecerá nem mesmo dentro da perspectiva de um ajuste fiscal amplo e efetivo, como cogitado pelos economistas Paulo Guedes e José Alexandre Scheinkman. A possibilidade de trabalhar com uma banda cambial mais larga do que a atual também foi descartada. ‘‘Esse tipo de regime não nos serve’’, disse.
O limite para o endividamento externo brasileiro está condicionado, segundo Franco, ao investimento estrangeiro direto. Neste ano, esses recursos devem ficar entre US$ 23 e US$ 24 bilhões que financiarão 65% do déficit em conta corrente do País. ‘‘Ao final, o déficit em conta corrente deve convergir para o tamanho do investimento direto’’, afirmou, sinalizando o que seria o equilíbrio para a economia.
Ao participar ontem do seminário ‘‘Crise Mundial x Brasil - O que o País tem que fazer para diminuir sua vulnerabilidade’’, promovido pela Editora Abril, Franco explicou que considera natural essa dependência. ‘‘Não existe economia emergente que não tenha dependência de capital estrangeiro’’, afirmou. O governo, no entanto, precisa se proteger diante dos fluxos de capital. A decisão do atual governo de cobrar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada do capital externo foi, segundo Franco, uma ação preventiva.
‘‘A administração de fluxos de capital e de controle do câmbio deve atender (também) a outros objetivos, como não produzir mais arrocho e inflação’’, explicou o presidente do Banco Central. Embora tenha tentado evitar, ao máximo, falar sobre o atual regime cambial, Franco descartou a adoção de uma banda cambial mais larga, que seria adequada para economias com moedas fortes que têm capacidade para se prevenir e coibir alta volatilidade.
‘‘Esse é um País intoxicado por indexação e isso atrapalha qualquer avaliação sobre regime de câmbio flutuante’’, afirmou Franco. Embora seja um defensor extremado da adoção do câmbio flexível, Paulo Guedes admitiu que, no momento, ‘‘tem de ser assim mesmo’’. O professor de Economia da Universidade de Chicago e Princeton, José Alexandre Scheinkman, reafirmou essa cautela, defendendo que se faça o ajuste fiscal, ante de pensar em mudar o câmbio.
Franco tentou convencer a platéia de cerca de 700 pessoas de que a disposição do governo de promover o ajuste fiscal agora é maior do que há um ano, quando da edição do chamado ‘‘pacote 51’’. Disse que, no passado, faltou a ‘‘noção do todo’’, já que o arcabouço do sistema fiscal não foi alterado.
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