José Paulo Lacerda/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Encontro de líderesO presidente da Câmara, Michel Temer, com Gustavo Franco ontem, no Congresso: debate com deputadosO presidente do Banco Central, Gustavo Franco, disse ontem que ‘‘a queda das taxas de juros é um compromisso do governo’’, mas que ainda não está definido quando essa queda será retomada. Franco disse que a queda dos juros poderá ser feita pela redução da TBC (Taxa Básica do BC) ou por uma mudança na estrutura dos compulsórios sobre depósitos à vista que os bancos recolhem ao BC.
Anteontem, o Comitê de Política Monetária do BC decidiu manter em setembro a mesma TBC que vem sendo adotada desde abril: 1,58%. Essa decisão já era esperada pelo mercado financeiro.
A TBC é o principal indicador do mercado financeiro para a fixação dos juros cobrados nos empréstimos bancários. Se o governo reduzir essa taxa, os juros dos financiamentos bancários também devem cair. O BC optou por uma posição conservadora, mas sabe que já tem espaço para retomar a queda dos juros, porque a inflação deste ano deverá ficar próxima de 5,4% - abaixo dos 7% que o governo esperava.
Franco disse que o BC poderia reduzir os juros já, mas que não fará isso para não provocar inflação. Segundo ele, a queda dos juros deve refletir ainda o ajuste fiscal que o governo ainda está tentando obter. As declarações aconteceram durante debate com deputados sobre os três anos do Plano Real, realizado na Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara.
A redução gradual da taxa de juros foi interrompida em abril deste ano, por dois motivos: consumo interno elevado e possibilidade de elevação das taxas de juros dos Estados Unidos. O governo começou a estudar a retomada dessa queda em julho. A medida foi adiada devido à crise cambial verificada nos países do Sudeste Asiático e que ainda não está totalmente controlada.
Durante o debate com os deputados, Franco voltou a reafirmar que as âncoras (cambial, monetária e fiscal) são para sempre. Segundo ele, os velhos hábitos da época de inflação elevada não voltarão. Durante debate com o deputado Roberto Campos (PPB-RJ), Franco defendeu a criação de um órgão responsável pela investigação de fraudes cambiais e a aprovação de uma lei para combater a lavagem de dinheiro.
Campos disse considerar prematura a criação do órgão, que chamou de instrumento ‘‘policialesco’’. Disse que, primeiro, seria melhor liberalizar o mercado de câmbio, hoje ainda muito burocratizado. Franco disse que o governo já avançou na liberalização cambial.

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