Roberto Castro/AE

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Rumo mantidoO novo presidente do Banco Central, Gustavo Franco, sorri na cerimônia de sua posse: discurso de apoio à política econômica hoje em cursoO presidente do Banco Central, Gustavo Franco, disse ontem em seu discurso de posse que ‘‘as chamadas âncoras - fiscal, monetária e cambial, especialmente - são permanentes’’. Ou, traduzindo, que o governo manterá o real sobrevalorizado em relação ao dólar e os juros altos que essa política obriga a adotar.
Até então, a retórica oficial pregava que, conseguida a aprovação das reformas constitucionais, o controle da inflação não mais dependeria tanto das atuais taxas de câmbio e de juros, que trazem como efeito colateral o déficit comercial e a redução das possibilidades de crescimento econômico. A menção à âncora fiscal - o controle dos gastos do governo - não constava do texto redigido por Franco. Foi acrescentada de improviso na hora do pronunciamento.
No mesmo trecho, marcado em negrito no discurso de nove páginas, Franco também substituiu a expressão ‘‘para sempre’’ por ‘‘permanentes’’. O caráter permanente das âncoras, segundo Franco, é uma verdade muito importante do processo de estabilização - ‘‘nem sempre percebida’’, completou, mais uma vez de improviso.
Toda a cerimônia de posse de Franco foi pontuada por declarações de apoio à política econômica hoje em curso. Também discursaram o ex-presidente do BC Gustavo Loyola e o ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Esse apoio não é óbvio como parece. A indicação de Franco para o BC é interpretada, no próprio governo, como uma vitória do grupo de Malan sobre os setores que defendem uma política mais ‘‘desenvolvimentista’’. Entre estes últimos costuma ser citado, por exemplo, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que criticou publicamente a âncora cambial, conduzida por Franco na diretoria de Assuntos Internacionais, dias antes da troca de nomes no BC.
Franco não deixou de citar o desenvolvimento, mas com outro enfoque: ‘‘A questão passa a ser a de que é possível, e como deve ser conduzido, o desenvolvimento na presença das âncoras’’. Aqui, a tese é conhecida: o investimento privado será a origem do crescimento, e um dos desafios é o aperfeiçoamento do mercado de capitais, que reúne ações e outros títulos de empresas.
Em seu discurso, Gustavo Loyola aproveitou para dar uma pequena alfinetada nos diversos segmentos que sempre criticaram a política cambial do governo. ‘‘As viúvas do câmbio indexado não choram mais o seu desaparecimento ou, se choram, fazem-no envergonhadamente, às escondidas’’, disse.
A frase de efeito omite que o câmbio está informalmente indexado - ou seja, corrigido conforme a inflação - desde março de 95, quando o governo mudou a política cambial para evitar um crescimento ainda maior do déficit comercial.
Malan seguiu o tom, comemorando o principal trunfo das âncoras, a queda da inflação. ‘‘Já ganhamos essa aposta’’, disse, com a ressalva de sempre de que a estabilização não está concluída.

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