César AugustoOperação irregularFranchello, que acusa diretor do Banestado de lhe ter proposto desconto de duplicatas friasO empresário Sidney Franchello, um dos sócios da Freezagro Produtos Agrícolas Ltda, de Cambé, acusa um diretor do Banestado em Curitiba - Jackson Ciro Sandrini - de lhe ter proposto o desconto de duplicatas frias. Em matéria publicada na Folha na semana passada, o presidente do Banestado, Manoel Campinha Garcia Cid - Neco Garcia -, denunciou a Freezagro por ter feito uma série de operações ilegais de desconto de duplicatas frias junto ao banco, dando prejuízo ao Banestado no valor de R$ 4 a R$ 5 milhões.
Franchello confirmou à Folha anteontem que cometeu a irregularidade no Banestado de Cambé entre março e outubro de 95, mas diz que a idéia dos descontos de duplicatas sem valor mercantil teria partido do diretor Jackson Ciro Sandrini.
‘‘A idéia das operações foi do diretor Sandrini’’, afirma o empresário. Segundo ele, o Banestado reteve um empréstimo solicitado pela Freezagro ao BNDES em dezembro de 94 para capital de giro, no valor de R$ 1.820.266, com aprovação da gerência de Cambé e da regional do Banestado. ‘‘O recurso era para ter chegado em janeiro de 95’’, diz. Franchello conta que, como já tinha contratado toda a matéria-prima, vendeu 900 toneladas de milho à Cica ‘‘por um preço razoavelmente barato para, assim, obter o dinheiro do financiamento que os diretores falavam que já estava saindo’’.
Franchello diz que começou a descontar as duplicatas frias em março de 95 porque o dinheiro do capital de giro estava demorando. Segundo ele, as duplicatas serviam para cumprir uma ‘‘pró-forma’’ dentro do Banestado. ‘‘Eu falava que não tinha operação mercantil finalizada’’, diz. As operações com duplicatas eram feitas com base em valores superiores à competência do gerente da agência de Cambé, segundo Franchello. ‘‘Nenhum gerente tem alçada para um volume deste tamanho. Só um diretor’’.
O empresário alega que foi obrigado a descontar as duplicatas pelo Banestado. ‘‘O banco queria obter lucro fácil’’, acusa. Segundo Franchello, o crédito concedido pelo BNDES previa juros de 12% ao ano e, pelas operações com duplicatas no Banestado, ele pagava 7% ao mês. ‘‘É um absurdo. O Sandrini disse que a cultura do Banestado é comercial e não de fomento. Mas se ele aprovou a proposta teria que fazer o repasse do empréstimo. Não fez por má-f钒. Ainda segundo Franchello, a demora na liberação do recurso inviabilizou a Freezagro. ‘‘A diretoria do banco deve ter pensado que a empresa era uma mina de ouro, obrigando-nos a um desconto de duplicatas com juros altíssimos’’.
Franchello diz que nunca tratou diretamente com o gerente da agência de Cambé. ‘‘Foi sempre com a regional ou com a diretoria’’, afirma. Mas, segundo ele, foi o gerente de Cambé quem o chamou para fazer um acerto em setembro de 95. ‘‘Henrique Faudon Henrique, gerente da agência, me chamou no Tabelionato Taques de Cambé e disse que eu tinha de pagar a dívida. A única coisa de que a Freezagro dispunha era o estoque de produtos e então eu fiz uma dação de pagamento no valor de US$ 3,5 milhões. A partir do dia 26 de setembro de 95 a empresa passou a não dever nada ao banco’’, diz Franchello, que afirma ter outros empréstimos - do BNDES e Finame - com vencimentos até o ano 2000.
O empresário diz que a soma das operações com as duplicatas descontadas no Banestado foi de R$ 1,3 milhão. ‘‘Na dação em pagamento, este valor virou US$ 3,5 milhão. A dívida de R$ 12 milhões que o presidente do banco diz que eu teria de pagar em 1999 não existe’’, afirma Franchello. Ele garante que vai reativar a indústria em cerca de dez dias, empregando inicialmente 50 funcionários. ‘‘Dentro de um ano queremos recuperar os 400 empregos’’. Franchello diz que, segundo estudo feito pela Directa BDO Auditores e Consultores, o valor econômico da Freezagro é de US$ 41,145 milhões (para uma taxa de redesconto de 15% ao ano).

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