Franceses visitam produção de soja no Paraná
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná recebe desde ontem a visita de uma comitiva francesa que, durante três dias, pretende conhecer a cadeia produtiva de soja no Estado. Até amanhã os técnicos cumprem uma agenda que inclui visita ao Porto de Paranaguá, locais de armazenagem e áreas de plantação de soja, com objetivo de verificar se o Estado tem condições de garantir a oferta da soja não-transgênica com 100% de segurança de que o produto não esteja contaminado.
A vinda da missão francesa ao Paraná foi intermediada pelo Greenpeace. ''Após constatar a necessidade da França em se tornar uma área livre de transgênicos, o Greenpeace começou a procurar fornecedores. Eles nos contataram e nós indicamos o Paraná'', explicou o engenheiro agrônomo Ventura Barbeiro, do Greenpeace.
Em apenas uma manhã de palestras e troca de informações, René Louail, representante da Confederação Camponesa segundo maior sindicato rural da França e com representação nos 25 países da União Européia já se mostrava impressionado com a estrutura do Paraná. ''Estamos verificando o trabalho do Paraná no domínio da rastreabilidade, o que é sinônimo de garantia de que o estado seja livre de transgênicos'', explicou Louail.
Após ouvir representantes do governo do Estado falarem sobre os métodos de controle da produção, de escoação do produto pelo Porto de Paranaguá e fiscalização das fronteiras, ele se disse convencido da seriedade do trabalho. Se essa impressão positiva persistir até o final da missão, os franceses devem sugerir às autoridades de seu País que o Paraná se torne fornecedor exclusivo de soja convencional para a região francesa da Bretanha e do Pays de Loire, no Noroeste da França.
De acordo com a vice-presidente da Bretanha, Pascale Loget, hoje 100% da soja de consumo humano naquela região é não-transgênica. O objetivo, agora, é fazer com que a ração animal também use apenas o produto tradicional. ''Queremos transformar a Bretanha em área livre de transgênicos'', afirmou. Para isso, a intenção é transformar um dos três portos da região, o Lorient, em área livre de transgênicos, a exemplo do que ocorre hoje com o Porto de Paranaguá.
A França importa 5 milhões de toneladas de soja dos três maiores produtores do mundo - Estados Unidos, Brasil e Argentina. Desse total, 65% (3,2 milhões de toneladas) são consumidos na região da Bretanha e Pays de Loire, onde há grande produção de aves e suínos. Como os Estados Unidos e Argentina não têm restrições para transgênicos, hoje o Brasil vende 75% da soja não-transgênica à França.


