Franceses têm interesse pela soja não-transgênica
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Maigue Gueths<br> De Curitiba 
Diretores e técnicos de cooperativas da cidade de Mans, na França, estiveram ontem em Curitiba, discutindo com representantes do setor no Paraná possíveis acordos de cooperação para desenvolvimento de cadeias agroalimentares. O principal interesse dos franceses é fazer contatos com fornecedores de soja não-transgênica, além de conhecer as condições de produção e certificação dos alimentos exportados pelo Paraná.
''Nosso objetivo é criar uma relação de parceria e formar um clube de fornecedores brasileiros, a exemplo do clube de consumidores alemães e franceses que já existe na Europa'', explicou François Bettinger, diretor da Sociedade Serco (entidade que coordena os clubes de produtores de ração animal). Segundo ele, a França tem cinco cooperativas que produzem 1,8 milhão de toneladas de ração.
Outra preocupação dos franceses refere-se à qualidade do produto. Segundo o engenheiro agrônomo Paul Coulon, vice-presidente da União de Cooperativas de Mans - que tem 3,6 mil associados - ''cada vez mais os clientes, frigoríficos e consumidores querem saber a origem do produto, o nome do fazendeiro, a região de onde veio''.
Nesse ponto, o Paraná ainda tem muito a caminhar. Com a exportação de 8,5 mil t de soja este ano, o Estado é o segundo em vendas, só perdendo para o Mato Grosso. O problema é que só a Cooperativa Agrícola de Campo Mourão (Coamo) trabalha com os princípios de qualidade e rastreabilidade exigidos pelo mercado europeu. Por isso, é a única que já fornece o produto para o clube de consumidores alemães e holandeses.
Com essas exigências o Brasil ganhou espaço antes ocupado pela Argentina. Há três anos, a cada três navios argentinos que desembarcavam no porto de Roterdan, na Holanda, chegavam dois brasilerios. Hoje, são três brasileiros para cada dois argentinos. ''O problema é que o preço da soja do Brasil está ficando muito cara e o País não está se dando conta'', alerta Bettinger. Nesses mesmos três anos, a soja brasileira custava US$ 16 a mais do que a argentina e hoje custa US$ 22 a mais.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, no entanto, acha que o mercado brasileiro deve seguir a tendência internacional e também desenvolver transgênicos. ''Quem vai definir essa questão é o produtor e o consumidor e já existem pesquisas feitas na França, inclusive, que mostram que o consumidor vai comprar os transgênicos se estes forem mais baratos'', diz.


