Franceses ampliam investimentos no Brasil
Os maiores grupos do mundo em materiais de construção anunciam grandes investimentos no varejo brasileiro
Cátia Lassalvia
Agência Folha
ArquivoMERCADO POTENCIALO crescimento da indústria da construção civil brasileira atrai investimentos estrangeirosApós o desembarque discreto no Brasil, em 1997, e um meticuloso trabalho desde então, os dois hipermercados franceses de materiais de construção que atuam no país - Castorama e Leroy Merlin - planejam crescer mais rapidamente a partir de agora.
A Castorama, que pertence ao terceiro maior grupo do mundo e o primeiro da Europa, abrirá mais três lojas no Brasil no próximo ano e projeta mais 20 até 2005. No mapa de novas unidades estão o interior de São Paulo e o Estado do Paraná.
‘‘Por questões estratégicas ainda não vamos divulgar detalhes, mas uma
delas será aberta no primeiro semestre de 2000’’, afirma Sérgio Bandeira, diretor de compras da Castorama do Brasil.
A empresa abriu sua primeira loja no país em 1997, na cidade de São Paulo. O grupo Castorama vai investir R$ 55 milhões nas três unidades, que seguirão o mesmo estilo de hipermercado da pioneira. Serão lojas de auto-atendimento, com 60 mil itens pronta-entrega distribuídos em mais de 12 mil metros quadrados de área de vendas.
A Leroy Merlin, que faz parte do sétimo maior grupo mundial e o segundo da Europa, inaugurou sua segunda loja em julho, em Ribeirão Preto, interior paulista.
Atuando com o mesmo conceito de hipermercado, a Leroy vai abrir na
primeira quinzena de novembro a terceira loja no Brasil, em Campinas (SP), e em junho de 2000, a quarta, em Belo Horizonte (MG). ‘‘Cada unidade
representa um investimento de R$ 22 milhões, que deve retornar em quatro ou cinco anos’’, afirma Felix Fernandez, diretor-geral da empresa no Brasil.
As lojas de materiais de construção, pulverizadas no país e formadas
predominantemente por pequenas empresas - 30% possuem menos de 700 metros quadrados e 51% contam com até 12 funcionários -, canalizam 72% do que a indústria produz.
‘‘A construção civil formal enfrenta problemas, mas o mercado de reformas, reposições e autoconstrução está aquecido’’, afirma Claudio Conz,
presidente da Associação das Revendas de Materiais de Construção
(Anamaco).
Seguindo o exemplo do que acontece em outros setores, o segmento de lojas de materiais de construção está atraindo o capital estrangeiro. Por enquanto, somente Castorama e Leroy Merlin estão disputando um seleto lugar entre as 103 mil revendas de materiais de construção que existem no país. Mas especialistas afirmam que mais grupos estão pensando em aplicar seu dinheiro no Brasil.
O potencial de crescimento do setor e o resultado acumulado nos últimos
seis anos, desde a implantação do real, são atraentes. ‘‘De lá para cá, crescemos 60% em volume negociado’’, afirma Conz. Desde janeiro, a Anamaco apurou um crescimento de 3,5%. A associação projeta fechar o ano com alta de 6%, movimentando R$ 28 bilhões em 99.
‘‘Pela característica do nosso setor, os hipermercados ainda conseguem
conviver com pequenas revendas’’, afirma Conz. Para ele, os dois tipos de lojas atuam em nichos distintos.
As maiores, em reformas e construção. As menores, no mercado de
reposições.
‘‘Fomos bem-sucedidos na primeira loja, em São Paulo, e apostamos no
crescimento em várias regiões do Brasil’’, afirma Fernandez, da Leroy
Merlin.
A empresa pertence ao grupo francês Alchan, que faturou US$ 4 bilhões em 98.
Na opinião de Bandeira, da Castorama do Brasil, o país tem um mercado
potencial estimado em 10%. ‘‘Mas ele pode ser muito maior e o que já existe hoje é bastante atraente’’, afirma. O grupo francês, também chamado
Castorama, deve faturar US$ 10 bilhões este ano.
Pessoas do setor acreditam que no prazo de cinco anos os hipermercados da construção irão alterar o mercado brasileiro, com fusões e aquisições de empresas de menor porte.
Também é esperada a vinda ao Brasil do grupo norte-americano Home Depot, o maior do mundo no setor, com faturamento de US$ 30,2 bilhões em 98. A Home Depot possui um hipermercado na Argentina, onde anunciou, em agosto, a construção de mais duas lojas no próximo ano. Em outubro, a empresa abriu a terceira loja no Chile, onde poderia estar fazendo um ‘‘ensaio’’ antes de apostar suas fichas no mercado brasileiro.

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