Francês sugere cooperativa para pecuaristas
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quarta-feira, 29 de setembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os pecuaristas paranaenses deveriam se organizar em cooperativas, num sistema de integração que permite a instalação de frigoríficos próprios que possam valorizar melhor as carnes produzidas e por isso possam pagar mais pelos animais. Essa foi uma das recomendações do consultor francês Jean Yves Rozé que ontem apresentou o resultado de uma pesquisa que fez no Paraná a respeito da qualidade da carne produzida no Estado. Rozé fez o trabalho a convite da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Rozé disse que chamou sua atenção o conflito entre criadores e frigoríficos, que na sua opinião prejudica o processo de qualificação da produção de carne bovina no Estado. Uma das consequências desse conflito pode ser a baixa participação do Estado nas exportações de carnes do País. De acordo com levantamento das exportações brasileiras feitas no primeiro semestre deste ano, o Paraná participa com 4,5% do faturamento das exportações.
Rozé veio ao Paraná para dar consultoria ao grupo de qualidade da carne da Faep, que visa estimular a produção de carne bovina com qualidade para o Paraná elevar sua participação nas exportações brasileiras. Para Rubens Ernesto Niederheitmann, responsável pelo grupo, uma aproximação entre frigoríficos e pecuaristas só vai acontecer quando mais criadores elevarem a qualidade de produção de seus rebanhos para que possam aumentar o poder de pressão sobre os pecuaristas. ''Só a pressão pela qualidade pode quebrar esse ciclo vicioso de eterno conflito'', salientou.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes), Péricles Salazar, pecuaristas e frigoríficos se integram no que se refere aos aspectos sanitários e tributários. Porém, no aspecto comercial, ele admite que historicamente sempre houve uma desconfiança mútua, que ele reconhece precisa ser eliminada.
Rozé fez uma visita de 15 dias às regiões produtoras, onde conheceu fazendas, frigoríficos, supermercados e até restaurantes para ter uma idéia de como o produto final está sendo oferecido aos consumidores. No geral, ele gostou do que viu em termos de qualidade, mas salientou que há pontos que devem ser melhorados, sendo um deles o da questão do relacionamento frigofífico e pecuarista.
O consultor recomendou o avanço no processo de rastreabilidade que deve ser vista como uma valorização do trabalho do pecuarista e não um incômodo. Lembrou que a valorização da produção passa pela constância da oferta de animais e vários aspectos devem ser observados pelo pecuarista como alimentação, raça e transporte de animais. As indústrias devem se preocupar em melhorar os cortes, embalagem e estocagem para oferecer produtos conforme as exigências dos consumidores.


