França suspende crédito para o Brasil
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Reali Júnior Agência Estado 
A Companhia Francesa de Seguros de Créditos de Exportação (Coface), órgão do Tesouro francês que garante as linhas de créditos de exportação, está suspendendo temporariamente as linhas de crédito para alguns países emergentes, incluindo o Brasil, fortemente atingido pela crise financeira internacional.
Com a decisão, o governo francês prejudica também as próprias empresas francesas interessadas em vender equipamentos para o Brasil - caso, por exemplo, da Thomson, GEC Alsthon, Aerospatiale e Alcatel, cujo presidente, Serge Tchruk, reuniu-se sexta-feira, em Paris, com o ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros, interessado em aumentar investimentos e vendas da companhia no Brasil.
A nova orientação da Coface reduzirá o fluxo de créditos de exportação para o País. O órgão já havia chamado a atenção em seu relatório de julho-agosto para o aumento do risco Brasil, diante do perigo de contágio das crises asiática e russa. Essa previsão foi fortalecida no último mês, quando a fuga de capitais do Brasil aumentou, mas, segundo algumas fontes, tornou-se menos forte após a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
As condições atuais poderão ser aliviadas no dia 20, quando forem conhecidos os detalhes do plano do Fundo Monetário Internacional (FMI) e as medidas de ajuste fiscal do governo brasileiro.
A decisão da Coface revela uma grande distância entre o discurso político do governo francês e as medidas adotadas pelo Tesouro, onde prevalece o pragmatismo. No início da crise, a França foi um dos primeiros países a manifestar apoio a uma ajuda maciça ao Brasil, julgando o País injustiçado pela crise, pois sua situação econômica não poderia ser comparada à da Ásia e da Rússia.
Os franceses defendiam, entre outras coisas, a intervenção agora próxima do FMI e Banco Mundial, por meio de declarações do próprio presidente da República, Jacques Chirac. Antes da crise, as linhas de crédito de exportação abertas pela Coface para o Brasil oscilavam entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões.
Também as linhas de curto prazo que financiam bancos brasileiros na França foram reduzidas entre 20% e 30%. Ao mesmo tempo, o spread subiu de 0,75% para até 1,30%. Nos demais países europeus as dificuldades, até agora, são menores.


