França quer disputar mercado brasileiro
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Indústrias francesas do setor lácteo também estão interessadas em participar do mercado de leite no Paraná. A intenção dos franceses é firmar joint-ventures com empresas brasileiras de porte médio e cooperativas vinculadas à produção pelo fato de serem semelhantes ao sistema familiar e médio que predomina naquele país. Para encaminhar as negociações o representante do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Charles Gendron, está no Paraná para contatos através de órgãos públicos e associações de classe.
Gendron participou ontem do Seminário Internacional que discutiu a competitividade da cadeia produtiva do leite realizado na Feira do Paraná. Disse que o Paraná está na lista de preferência das indústrias francesas para investimentos. Em troca, a França quer fornecer material genético. Depois do Paraná, o ministério da Agricultura daquele país listou os estados de Minas Gerais e Tocantins para investimentos no setor leiteiro.
A França está interessada em ampliar a cooperação com o Brasil no setor de lácteos porque entende que o Brasil é um mercado em explosão. Enquanto lá o consumo desses produtos está crescendo entre 1% e 2% ao ano, aqui o crescimento é de 7% a 8% ao ano, comparou Gendron. Ele enfatizou que os franceses têm capital e tecnologia sobre a produção de derivados. Eles se especializaram no mercado europeu que é exigente e acreditam que poderão contribuir com o mercado nacional que também está exigindo cada vez mais qualidade.
Na avaliação de Gendron o mercado leiteiro no Brasil está mudando rapidamente e ele acredita que esta é a oportunidade para entrar no país porque ainda tem empresas e produtores de porte médio. Daqui há três ou quatro anos ele teme que não dará mais tempo para consolidar essas parcerias, com a entrada de grandes grupos industriais observou. O objetivo é participar do mercado nacional que hoje produz 20 bilhões de litros anuais e tem potencial para expandir mais ainda. Gendron salienta que o consumo de leite no Brasil pode aumentar significativamente em função da diversificação de produtos derivados.
Ele explicou que a França tem muita experiência nessa área já que foi através da colocação de novos produtos no mercado para atrair o consumidor que o mercado francês de produtos lácteos se expandiu. Segundo ele na década de 60 o consumo era muito baixo e houve um esforço por parte das empresas de transformação de alimentos para propor novos produtos, explicou. Mas destacou que a pequena e média produção e industrialização só vai se manter diante da concorrência com grandes grupos multinacionais se produzirem com qualidade e dentro das regras de sanidade exigidas pelas normas do Codex Alimentarius.


