França quer café com selo Paraná
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quarta-feira, 21 de maio de 1997
Oswaldo Petrin 
A Tardivat Paris Financiére, um grupo importador e exportador francês, com sede em Paris, quer comprar 10 mil toneladas (160 mil sacas de café beneficiados) do Paraná. Ontem de manhã o diretor geral da Tardivat, Yves Benac, esteve no Iapar, em Londrina, e na Fazenda Califórnia, de José Ferroni, em Ribeirão Claro, acompanhado pelo presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Newton Carneiro. No Iapar, o francês e seus assessores se reuniram com a diretoria e técnicos, tratando da qualidade de café despolpado, a partir de cultivos adensados. Depois, em nova reunião com o secretário do Planejamento Rafael Greca (que suspendeu sua participação num seminário sobre agronegócios para participar das negociações), ficou acertado que a fixação dos padrões exigidos pela Tardivat se dará através de trabalho conjunto entre Iapar, Claspar, Associação de Cafeicultores (Apac) e técnicos da empresa importadora.
O secretário Greca acenou com a possibilidade de o governo do Paraná incentivar os produtores a elevar a qualidade do produto. No caso das exportações para a França o Estado financiaria equipamentos necessários para o preparo ideal do café.
A Tardivat quer um selo específico. Ela vai atender a nichos de mercado. A opção pelo café paranaense é pela qualidade do despolpado (lavado, na linguagem de mercado) produzido aqui. Os cafés do cerrado, segundo os franceses, são de qualidade mas seguem outro método de preparo, a seco, em terreiros.
O presidente da Apac, Newton Carneiro, disse que o Paraná pode preencher espaços no mercado consumidor (de cafés lavados ou semilavados, que dão uma bebida suave para o hábito dos franceses) deixados pelos cafés finos da Colômbia e América Central que não conseguem atender à demanda.
Segundo Elieser Duarte, brasileiro radicado em Paris e assessor da Tardivat, o Paraná não tem condição de atender, de imediato, à demanda de 10 mil toneladas de despolpado, que é a necessidade inicial da Tardivat. Tanto que a base da reunião girou em torno de 5 milhões de toneladas (80 mil sacas). Mas o técnico e produtor Francisco Barbosa, ex-IBC, acha que o Paraná tem disponibilidade para suprir a quantidade se a importadora concordar com café do mesmo padrão, porém preparado através de outro processo que não a despolpa. Seria uma secagem dentro de níveis técnicos recomendados pela pesquisa.
Em entrevista à Folha ontem à noite, Elisier disse que o negócio com o Paraná seria fechado de imediato, se dependesse só da Tardivat. O cheque poderia ser emitido hoje, para as 10 mil toneladas. Ele saiu satisfeito com a boa vontade e recepção do secretário Rafael Greca. Mas espera que Greca realmente cumpra com a promessa de equipar os produtores através de incentivos do Estado.


