Lionel Jospin, o primeiro-ministro da França, pediu ontem cooperação internacional para sustentar o euro, a moeda única européia, em meio a sinais de que a paciência para com as suas quedas constantes no mercado de câmbio está chegando ao fim. Em visita à Hungria, Jospin disse estar insatisfeito com a cotação da moeda, que, em sua opinião, não reflete a força das economias da Europa.
A volatilidade das principais moedas mundiais, disse ele, era mau negócio para todo mundo. Em um apelo implícito por assistência dos EUA e do Japão, ele declarou que ‘‘uma resposta coletiva dos grandes blocos monetários deveria ser considerada’’. Jospin pediu igualmente por maior coordenação entre os países da zona do euro com respeito à moeda.
Suas críticas aos mercados internacionais de câmbio foram ecoadas por Jean-Claude Trichet, presidente do Banco da França, que disse que está ‘‘profundamente convencido de que os participantes dos mercados compreenderão que as cotações atuais estão desalinhadas com os fundamentos e que, portanto, o potencial de alta da moeda rapidamente se realizarᒒ.
Aquisições de euro pelo Bundesbank (banco central alemão) ajudaram a deter a queda da moeda ontem. Na abertura das operações, em Londres, o euro caiu à marca mais baixa ante o dólar em todos os tempos, cotado a US$ 0,8843, mas, no final da sessão, havia obtido alguma recuperação e estava cotado a US$ 0,892.
As aquisições do Bundesbank foram transações de rotina, e não uma tentativa de dar sustentação à moeda, mas os analistas dizem que a reação do mercado indica crescente nervosismo. Observadores acreditam que a intervenção continue a ser uma perspectiva remota. Comentários recentes de parte de outras autoridades econômicas na zona do euro sugerem que poderia ser difícil obter um consenso quanto a uma ação conjunta dos países no mercado.
Ernst Welteke, presidente do Bundesbank, declarou esta semana que uma intervenção ‘‘é sempre problemática e tem-se dúvidas quanto à sua possibilidade de sucesso se contrariar as tendências do mercado’’. Ele acrescentou que duvidava que os governo dos EUA quisessem participar da ação em defesa da moeda.

mockup