Nadando contra uma maré revolta - de uma economia arrefecida e instável -, o setor de franquias do País fechou 2015 com um faturamento de R$ 139,5 bilhões, alta de 8,3% frente aos 128,8 bilhões do período anterior. As mais de três mil redes franqueadoras nacionais se mostraram bem estrategistas no período e conseguiram fechar o ano com 138,3 mil unidades, uma elevação de 10,1% frente a 2014. Neste mesmo intervalo, o Paraná saltou de aproximadamente 6,5 mil para 8,3 mil unidades, uma alta de 27,6%. E as franqueadoras de Londrina que conversaram com a reportagem da FOLHA estão bem empolgadas para uma nova expansão em 2016. Os números foram divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Dos 11 segmentos que compõem o setor, apenas o de limpeza e conservação apresentou retração de faturamento, algo em torno de 2,3%. Os demais tiveram elevações variadas, com destaque para acessórios pessoais e calçados (12%), negócios e serviços (10,2%), hotelaria e turismo (9%) e alimentação (8,9%). O balanço de 2015 também revelou que o crescimento do setor se deu de maneira mais acentuada nas regiões Nordeste e Centro-Oeste em relação aos tradicionais centros de negócios do País. A presença do franchising nos municípios brasileiros atingiu 40% no ano passado, ante a 37% em 2014.
O diretor de inteligência e mercado da ABF, Cláudio Tieghi, explica por que o setor conseguiu passar por 2015 praticamente de forma ilesa. Ele relata que muitos franqueados e franquias já estavam se preparando para essa realidade econômica que fatalmente surgiria há pelo menos três anos. "Somos um sistema muito dinâmico e, quando olhamos a retração de consumo, percebemos os riscos e oportunidades. Renegociamos com fornecedores, enxugamos custos extras e melhoramos nossa qualidade operacional. Aliás, muitas franquias conseguiram segurar o repasse da inflação para manter o ticket médio elevado". Outro ponto, segundo Thieghi, é que as franqueadoras continuaram expandindo. O número de empregos diretos, consequentemente, aumentou 8,5% em 12 meses, atingindo a marca de 1,18 milhão de pessoas.

Paraná
Quando se trata especificamente do Paraná, o diretor da ABF relata que o Estado tem tradição em redes de educação, mas agora também se fortalece em novos segmentos, com o surgimento de redes franqueadoras. "Além disso, temos uma parceria com o Sebrae em que se atua na formatação de negócios ganhando escala no formato de franquias".
Para este ano, Tieghi acredita que o crescimento em nível nacional será um pouco "mais conservador", na casa de 6% a 8% no aumento de faturamento, 8% a 10% em unidades e 4% a 6% em novas marcas franqueadoras. "Quando olhamos este cenário de ameaças, já pensamos em várias estratégias que podem ser bem sucedidas".
Já o especialista em franquias Marcus Rizzo acredita que o setor de franquias é o último a entrar na crise e o primeiro a sair. Para ele, este momento de maior taxa de desemprego pode fazer com que muitas pessoas buscam empreender no setor. "A franquia passa a ser uma ilha de descanso ocasionado pela falta de emprego. Acho que este ano muitos vão buscar negócios de menor investimento, como é o caso de segmentos ligados a reparo de residências e comércio e homecare. Acredito que o setor deve crescer na casa dos 8%", complementa.

Imagem ilustrativa da imagem Franca expansão
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