Nova York - O chanceler Celso Amorim afirmou ontem que a Alemanha e a França defenderam a inclusão do Brasil no Grupo dos 8 (G-8), durante a recente reunião do principal foro de decisões sobre a economia mundial, que reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Canadá e Rússia. Amorim disse que acionou as embaixadas brasileiras para apurar o conteúdo das discussões sobre a expansão do G-8 a novos membros depois de ler declaração do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, segundo a qual os líderes discustiram a entrada da China e da Índia durante a recente reunião do grupo em Sea Island, na Georgia.
Na ocasião, o presidente francês, Jacques Chirac, defendeu ''uma intensificação do diálogo'' do G-8 com a China, Índia, Brasil e África do Sul. Esta semana, o primeiro-ministro da Alemanha, Gerard Schroeder, foi o primeiro a defender o acesso do Brasil a um G-8 expandido. ''É melhor para os próprios países desenvolvidos porque, afinal, hoje em dia o que acontece no Brasil, na China e na Índia também influi nos outros'', disse Amorim. ''Então a gente tem de discutir e participar das coisas e não pode ser só objetos das decisões.''
O interesse do chanceler no assunto e a mobilização do Itamaraty em torno dele é uma novidade na política externa do governo Lula. Até agora, Brasília vinha concentrando esforços na obtenção de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um tema da predileção de Amorim desde que ele chefiou a missão do país na organização internacional, no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso.
O presidente Lula Silva reiterou o interesse na cadeira do Conselho de Segurança reformado, dizendo que ela ''não é apenas uma pretensão, mas a reivindicação de um direito de que a ONU seja democratizada''.
A julgar pelas declarações de Amorim, o governo Lula caminha agora na busca de um lugar no G-8,
até porque estava correndo o risco de apostar numa reforma que não está acontecendo - a do Conselho de Segurança - e perder o bonde na ampliação do G-8, que parece estar em curso. Amorim não voltou com Lula para Brasília ontem para participar de uma reunião preparatória à próxima viagem do presidente a Nova York, na terceira semana de setembro. Esta viagem incluirá uma reunião de líderes contra a pobreza um dia antes de sua participação na abertura do debate na Assembléia Geral da ONU.

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