França agora enfrenta o ''carneiro maluco''
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Reali Júnior Agência Estado 
Mergulhada em plena crise da vaca louca, a França prepara-se para enfrentar as novas crises que vêm por aí, a do carneiro doido e da cabra maluca, esperadas pelos técnicos da Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (Afssa), que lançaram ontem uma advertência às autoridades. A partir de agora, as medidas não se limitam só aos bovinos, mas alcançam também os ovinos e caprinos, que não mais são poupados pela epidemia de encefalopatia espongiforme bovina (EEB, o mal da vaca louca) e suas variantes.
Um estudo da Afssa provocou ontem uma reunião do primeiro-ministro Lionel Jospin com os ministros da Agricultura, Jean Glavany, e o da Saúde, Bernard Kouchnner, para examinar a situação, tendo o responsável pela Saúde dito que o governo está levando em consideração as advertências da agencia sanitária, cada vez mais preocupada com a extensão da crise. Também os suínos não estão isentos.
Ao mesmo tempo, os agricultores franceses ligados à Federação Nacional dos Sindicatos Agrícolas e ao Centro dos Jovens Agricultores multiplicaram suas manifestações de protesto, decepcionados com as medidas anunciadas pelo Ministério da Agricultura, tidas como dramaticamente insuficientes. O governo preferiu reservar o anúncio das decisões de ajuda financeira para o encontro dos ministros europeus do setor, marcada para o dia 26, provocando a ira dos produtores, que exigem novas ajudas comunitárias para o setor.
Ontem, em diversas regiões da França (Bretanha, Loire, Borgonha, Normandia), eles efetuaram controles em caminhões frigoríficos transportando carne de países que não fazem parte da União Européia, identificando e destruindo lotes do produto, entre eles de carne de origem argentina e brasileira. Em Nancy, ocorreram choques entre agricultores e policiais durante as manifestações.
Se os ministros europeus não aprovarem a ajuda financeira, Glavany prometeu que o governo francês adotará unilateralmente as decisões. Não se pode esquecer que a França atravessa uma fase política importante com as eleições municipais de 11 de março.


