Fraga vê o País 'próximo da virada'
Agência Estado
De Brasília
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou ontem que o Brasil está próximo do ponto de virada para a retomada do crescimento. Este ano, segundo ele, é possível que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma variação positiva. Com sorte teremos um pouquinho de crescimento ainda em 99, afirmou Fraga durante exposição às comissões de Finanças e Tributação e de Economia da Câmara dos Deputados. Ele foi convidado para falar sobre o processo de reestruturação do BC.
Na audiência que durou três horas, Fraga lembrou aos parlamentares que no primeiro trimestre deste ano a economia cresceu 0,7% e, no segundo, 0,9%. Nos últimos dois meses, entretanto, ele lembrou que houve uma redução no ritmo de atividades provocada pelo ambiente externo e, ainda, por causa das preocupações sobre o andamento das reformas propostas pelo governo ao Congresso Nacional. É preciso continuar na trajetória das reformas, insistiu.
Sobre a retração dos últimos dois meses, o presidente do BC explicou ainda que o ambiente externo esteve mais seco com a queda do preço das exportações. Mas garantiu que com o arcabouço do câmbio flexível e da política fiscal ajustada é possível crescer. Não temos por que temer o crescimento, afirmou Fraga. O presidente do BC fez questão de dizer que a sua expectativa não é otimista, mas realista e positiva.
Para o crescimento, ele disse que, do ponto de vista macroeconômico, é importante a aprovação da reforma da previdência e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Numa avaliação micro, Fraga disse que o governo tem consciência de que acertar os ponteiros fiscais não é suficiente para garantir o crescimento. De acordo com o presidente do BC, é preciso continuar buscando a eficiência da economia e criar competividade.
No que diz respeito ao Banco Central, ele destacou que o ponto importante é repensar o custo do capital no Brasil. Custo que vem das elevadas taxas de juros e da intermediação financeira. Fraga garantiu que o BC está na fase final para chegar ao diagnóstico sobre a diferença entre as taxas de juros básicas, que são aquelas praticadas pelo Banco Central nas operações com o mercado, e os juros cobrados dos consumidores.
Fraga anunciou ontem, também, que vai tornar mais rígidos os critérios para avaliação e aprovação de dirigentes de bancos. Ele antecipou que voto neste sentido será apresentado ao Conselho Monetário Nacional (CMN) neste mês ou, no máximo, em outubro. Pelas regras atuais, a exigência é que os dirigentes de instituições financeiras tenham reputação ilibada e capacitação técnica. A única regra mais rígida é em relação aos dirigentes de fundos financeiros, que respondem separadamente pelas carteiras destas aplicações e podem ser responsabilizados penal e civilmente por fraudes.Presidente do Banco Central diz que é preciso manter trajetória de reformas e reduzir o custo do capital no Brasil
Roosewelt Pinheiro/Agência BrasilREALISTAArmínio Fraga nega que as suas projeções sejam otimistas e corrige: Só estou sendo positivo





