Agência Folha
De São Paulo
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem discordar da avaliação do FMI sobre o atual estágio da economia brasileira, que, segundo ele, estaria mostrando sinais de recuperação de forma mais rápida do que o esperado. Anteontem, um alto funcionário do FMI (Fundo Monetário Internacional) revelou que o organismo vê fragilidade na recuperação do País.
Segundo avaliação do FMI, essa fragilidade pode transformar-se em crise caso os investidores concluam que falta vontade dos políticos em aprovar a reforma fiscal. ‘‘Não tive chance de ler o documento ou conversar com quem fez essa avaliação, por isso me sinto tímido para opinar. Mas a nossa economia está mostrando força ao sair de um momento de crise’’, disse.
O dirigente do BC lembrou que não se confirmaram as previsões feitas logo após a desvalorização do real, em janeiro, de que o país sofreria uma profunda recessão, da qual demoraria a se recuperar. Fraga afirmou que há muito a ser feito para que a economia volte a crescer. ‘‘O futuro brilhante não está garantido só com estes primeiros sinais, temos muito trabalho daqui para a frente’’, disse Fraga. O presidente do BC esteve ontem em São Paulo para receber o prêmio Eugênio Gudin, concedido pela Academia Internacional de Direito e Economia para economistas de atuação destacada.
O presidente do BC defendeu ainda uma ‘‘mudança da cultura’’ do pequeno produtor brasileiro como forma de aumentar as exportações do país. Ele confirmou que as projeções para os resultados da balança comercial brasileira em 1999 estão sendo revisadas conjuntamente pela equipe econômica e pela missão do FMI. ‘‘Mas não há metas para a balança comercial, o que há são projeções e avaliações, que são rediscutidas periodicamente’’. A última projeção oficial divulgada pelo governo apontava para um superávit de US$ 1,5 bilhão na balança neste ano.

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