São Paulo O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, estipulou um prazo de 30 meses para o Brasil passar a ser considerado um país de investimento seguro pelo mercado internacional. Ter sua nota aumentada para ''investment grade'' por uma agência de classificação de risco internacional significa para um país maior facilidade e menor custo para conseguir crédito no exterior.
''Acredito ser possível, apesar da conjuntura atual, tirar o País da categoria de alto risco e colocar o Brasil em uma categoria de baixo risco. É um projeto perfeitamente factível, as bases estão lançadas. Se formos disciplinados, podemos obter isso. Mas não podemos acreditar em soluções milagrosas'', afirmou Fraga.
O País é considerado atualmente como de alto risco para investimentos pelas três principais agências internacionais Standard & Poor's, Moody's e Fitch Rating's que fazem esse tipo de classificação.
Sobre a atual turbulência no mercado, Fraga disse que é incorreto colocar ''o Brasil na berlinda e dizer que se trata da bola da vez'', pois tem de se considerar que há problemas em várias partes do mundo. ''Vivemos um momento em que se aproxima o final do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e é natural que haja uma certa ansiedade em relação ao que virá por aí.''
O prazo estimado por Fraga não agradou à industria paulista. O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Horácio Lafer Piva, considerou o prazo ''demasiado''. ''Não concordamos com esse prazo de 30 meses. É preciso baixar rapidamente a taxa de risco do Brasil, pois isso impede o crescimento do investimento e do País.''
Pela classificação (''rating'') da Moody's, a nota brasileira é B1, em uma escala que vai até Aaa, que representa segurança máxima. Para chegar a grau de investimento (''investment grade''), o Brasil precisa subir ainda quatro degraus na escala da agência. A nota atual do Brasil é inferior à dada à Colômbia e à Costa Rica.
Para Fraga, passar a ser considerado ''investment grade'' levará o País a conseguir ter uma taxa real de juros em torno de 6% ao ano. O caminho para isso, segundo Fraga, passa pela boa gestão das contas públicas, o aprofundamento das reformas (especialmente a tributária) e conseguir os superávits primários esperados.
O empresário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, também lamentou o prazo dado pelo presidente do BC. ''Fico triste com essa estimativa. É um prazo muito longo'', disse o empresário.
Piva se mostrou preocupado com a escalada do dólar e afirmou que o BC não pode deixar o dólar flutuar livremente com um clima de nervosismo como há atualmente no mercado. Para Piva, a cotação do dólar próxima dos R$ 2,90 é muito alta e gera ''pressões de difícil controle. Se continuar como está, vamos começar a estrilar''.
Ontem o dólar fechou com pequeno recuo, a R$ 2,894, mas chegou a R$ 2,938.

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