Uma das primeiras providências tomadas pelo futuro presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, no dia do anúncio de sua indicação para o cargo, foi se aconselhar com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Ele foi à casa de ACM aproximadamente às 21h de anteontem e os dois conversaram durante cerca de meia hora.
Depois do encontro, o senador comentou com amigos ter ficado satisfeito com a conversa. Disse que Fraga se mostrou seguro e decidido a combater com firmeza a especulação financeira. ACM afirmou também que ele tem condições de restabelecer o respeito do Banco Central.
ACM reafirmou ontem que a sabatina de Fraga Neto pela Comissão de Assuntos Econômicos só vai ocorrer após o dia 22, quando os senadores - que estão em recesso - retomam as atividades. Ele decidiu não antecipar a arguição pública, como reivindicou o bloco de oposição do Senado, porque o governo quer demonstrar que não tem pressa e que a situação está calma.
A idéia é sinalizar tranquilidade à comunidade financeira internacional, já que o futuro presidente do Banco Central foi nomeado assessor do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e na prática já está no comando da política monetária do país.
‘‘O que o governo e o presidente Antonio Carlos querem é esfriar a sabatina’’, disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE). Segundo ele, Fraga Neto seria ‘‘bombardeado’’ com perguntas se a sabatina fosse realizada nos próximos dias. Isso porque sua indicação pegou de surpresa até os parlamentares governistas e muitos criticaram a ligação de Fraga Neto com o megainvestidor George Soros.

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