Fraga nega que instituição tenha ''jogado a toalha''
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Agência Estado 
Brasília - Depois da polêmica criada na quarta-feira, quando convocou os jornalistas para falar sobre a economia brasileira, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, divulgou uma nota oficial ontem para rebater as críticas de que a autoridade monetária teria ''jogado a toalha'' diante do caos que tomou conta do mercado financeiro. ''Muitos ainda não entenderam que o Brasil enfrenta, neste momento, um problema de falta de crédito e falta de confiança'', afirmou Fraga, na nota.
Segundo ele, ''seria um absurdo'' o BC ficar parado diante dessa situação. ''O BC vai continuar trabalhando como sempre trabalhou em momentos difíceis no passado, dando conta do recado'', completa. Era o prenúncio das medidas que viriam mais tarde.
Fraga argumentou ainda que, durante a entrevista, tentou mostrar que ''existem respostas menos custosas para a sociedade, que são aquelas que afetam de maneira crível as expectativas. É isso o que eu propus a partir de um diagnóstico correto do quadro atual''. Por último, reiterou estar seguro de que o Brasil vai conseguir superar essa crise e retomar uma trajetória tranquila de desenvolvimento.
A nota mal tinha sido divulgada e a cúpula do BC já começava a discutir as medidas em conferência telefônica. Enquanto isso, um grupo de funcionários protestava em frente à sede da instituição, em Brasília. O Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal) divulgou um manifesto repudiando a atitude de Fraga, na entrevista que deu na quarta-feira.
''O que pareceria ser mais uma tarde de entrevistas sobre a economia brasileira, mostrou-se um palanque de recados a serviços do Planalto Central'', afirma o documento. ''Fraga alarmou o mercado financeiro, que se encontra extremamente tenso, num ato de terrorismo econômico.''


