Agência Estado
Do Rio
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, garantiu que o governo não pretende alterar a taxa de juros pelas próximas cinco semanas, apesar de não ter renovado o viés de baixa na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom). ‘‘É um erro interpretar o viés como uma tendência para os juros’’, ressaltou. ‘‘Esse é um assunto tratado com detalhes apenas no relatório de inflação.’’
Fraga participou da abertura de seminário ‘‘O Real, as Reformas e o Futuro’’, na Associação Comercial do Rio Janeiro, e discorreu longamente sobre as determinações econômicas do governo. ‘‘O viés não foi renovado porque achamos que será desnecessário mexer nos juros entre as reuniões de Copom, o que não significa dizer que o BC não possa baixar os juros, agora em 19,5% ao ano, na próxima reunião’’.
Ele explicou que o mecanismo foi criado com o objetivo de dar ao BC o direito de mudar eventualmente as taxas de juros nos intervalos das reuniões do Copom. Lembrou que o nível de incerteza na época era muito maior do que o atual, o que não justificaria a renovação do viés na última reunião.
O presidente do BC ressaltou que, quando foi criada esta alternativa, a expectativa era de uma solução a curto prazo para a crise decorrente da desvalorização cambial. Isto permitiria um corte mais profundo dos juros, como acabou ocorrendo nos últimos meses.
Segundo Fraga, a decisão de não renovar o viés foi tomada para mostrar que o indicador não pode ser analisado como uma tendência para os juros no curto prazo. ‘‘O governo avalia uma série de indicadores e seus impactos na inflação antes de fixar uma trajetória para a taxa.’’
Outro fator que levou a equipe econômica a baixar novamente os juros foi a percepção de que as pressões inflacionárias são temporárias, refletindo apenas os reajustes das tarifas públicas e dos preços no setor de serviços. ‘‘Essa pressão não deve se repetir nos próximos meses e a inflação para consumidor ficará abaixo de um dígito’’, disse. ‘‘Já observamos que o índice caminha na direção de nossas metas’’, continuou. ‘‘Por isso, decidimos reduzir novamente a taxa’’.’’
O presidente do BC afirmou que o principal objetivo de sua gestão é manter as taxas de inflação baixas. Segundo ele, a economia está se recuperando e é esperada uma queda dos índices de preços ao consumidor nos próximos meses. Fraga prevê que a inflação vai entrar em trajetória de queda assim que os efeitos da desvalorização cambial forem assimilados.
‘‘Esta foi a principal fonte pressão este ano’’, afirmou. ‘‘Tivemos uma desvalorização de quase 50% e a inflação deve ficar em 8%.’’ Ele previu que a recuperação do País já é compatível com um crescimento superior a 4% e com uma inflação até mais baixa do que os 6% fixados pelo governo como meta para o próximo ano.Presidente do BC nega tendência de alta nas próximas semanas por causa da mudança do ‘viés’ na última reunião do Copom
Arquivo FolhaSEM SURPRESASFraga, presidente do BC: ‘‘Já observamos que a inflação caminha na direção de nossas metas’’

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