Fraga e Malan acham efeitos 'imprevisíveis'
A imprevisibilidade das consequências do desfecho da crise argentina sobre a taxa de câmbio no Brasil foi admitida ontem tanto pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, quanto pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. O dirigente do BC conseguiu, no entanto, influenciar na redução da cotação do dólar ontem, ao afirmar: ''A taxa de câmbio estava, sem dúvida, muitíssimo depreciada no País, e de alguma maneira ainda está. Isso quem viver verá.'' Minutos após a declaração, a moeda americana ampliou a queda de 0,66% para 0,95%, fechando o dia em R$ 2,39.
Fraga e Malan, que participaram ontem no Rio da comemoração dos 25 anos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), demonstraram preocupação com a situação argentina, mas otimismo quanto à resolução dos problemas naquele país. ''As expectativas estão extremamente focadas nesta questão (Argentina), mas eu não creio que seja possível prever o que vai acontecer com precisão nos próximos dias. Temos feito um esforço institucional muito grande no Brasil há anos e acredito que vamos continuar a enfrentar essa situação'', afirmou o presidente do BC.
Questionado sobre o mesmo assunto, Malan disse que concorda com Fraga: ''Não apenas em relação à imprevisibilidade sobre o comportamento do câmbio, mas também que a Argentina equacionará os seus problemas.'' Fraga havia manifestado otimismo de que ''as coisas acabem se resolvendo'' na Argentina, apesar de admitir que os desafios naquele país são de ''grandes proporções''.
Fraga, questionado pelos jornalistas sobre sua expectativa em relação ao câmbio e aos juros, lembrou que já havia deixado claro nos momentos mais complicados dos efeitos da crise argentina no País, em setembro e outubro, que acreditava que a situação financeira e as expectativas do mercado tinham se deslocado da realidade dos fundamentos da economia.
No momento, segundo ele, ''as coisas têm caminhado para clarear a visão das pessoas e dar alento à economia''. De acordo com ele, o câmbio flutuante mostrou, desta maneira, ''o porquê da sua existência''. ''Nós, do Banco Central, temos a missão de zelar pelo poder de compra da população e da nossa moeda'', acrescentou. (AE)





