Fraga é aprovado na sabatina do Senado
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O presidente indicado para o Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que, sem o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil seria obrigado a fazer um programa de ajuste fiscal ainda mais duro. Sem os recursos do Fundo, temo que seria pior, afirmou.
Ele destacou que, a partir do acordo fechado no final do ano passado e que está sendo revisado, o balanço de pagamentos (resultado de todas as transações que o País faz com o exterior, que teve um déficit em torno de US$ 35 bilhões no ano passado), ficará mais administrável. Com isso, explicou, o País poderá começar a reverter a recessão.
Em discurso antes da sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde foi arguido por seis horas e meia e aprovado por 21 votos a favor e seis contra, Fraga disse que o primeiro semestre deste ano será muito difícil. Mas no segundo semestre deste ano será possível vislumbrar alguma recuperação.
No último trimestre de 99, segundo ele, a inflação não deverá ultrapassar 0,6% ao mês. Para o próximo ano, previu a retomada do crescimento e um índice de inflação de um dígito. O quadro para o ano 2001 é ainda mais otimista: taxa de inflação anual abaixo de 5%.
Fraga assegurou que trabalhará no BC com metas de inflação. Segundo ele, esta nova política não significará o fim de uma âncora na economia, mas apenas uma troca de âncora. Para ele, a sociedade brasileira não quer a volta da inflação e cabe ao Banco Central garantir que isso ocorra.
Sobre as atuais taxas de juros, uma preocupação colocada por vários dos integrantes da CAE, ele disse que, no curto prazo, elas permanecerão altas. Mas ressaltou ver espaço para que as taxas reais caiam no futuro. Fraga explicou que os juros altos foram provocados pelo déficit público e por pressões do balanço de pagamentos. Estes dois fatores vão desaparecer. Com isso, explicou, a trajetória dos juros deve começar a cair mas em ritmo prudencial e responsável. Dentro deste novo cenário, ele acenou com uma mudança no perfil da dívida interna, que sairá de um círculo vicioso para um virtuoso.
Ao ser questionado pelo senador Sebastião Rocha (PDT-AM) sobre como seria possível compatibilizar política de juros altos com crescimento social, Fraga repetiu o discurso do ministro Pedro Malan e disse estar convicto que a melhor forma de proteger o pobre é controlando a inflação.
No Banco Central, ele promete ter um controle sobre os capitais de curto prazo para que o Brasil não volte a ter um excesso destas aplicações. Ao longo do seu depoimento, Fraga repetiu que o regime de câmbio de taxas flutuantes é o melhor para o Brasil e disse haver um exagero na desvalorização. Com o tempo, isso deve se corrigir, disse.


