Fraga, do BC: ‘Projeto de longo prazo’
Arquivo FolhaFraga sugere que o Mercosul ‘aprenda com os seus avós europeus’O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defendeu ontem em palestra na Firjan, a adoção de uma moeda única pelo Mercosul. Fraga afirmou que esse projeto é de médio e longo prazos e essa moeda iria flutuar vis a vis com as grandes moedas mundiais. O presidente do BC afirmou que enquanto essa idéia é analisada, o Mercosul terá tempo para avaliar casos como o do padrão ouro e da aplicação do Euro. ‘‘Vamos aprender com nossos avós europeus’’, disse Armínio. Ao tratar do tema, ele afirmou que nem o Brasil tem a intenção de adotar o dólar e nem a Argentina e os países vizinhos, de adotar o real como moeda única. ‘‘O desafio é dar credibilidade para nossa moeda’’, afirmou Armínio, que participa do Seminário América Latina Pós-Crise Brasileira promovido pela FGV.
Segundo Fraga, o sistema previdenciário brasileiro ‘‘não vai exibir uma piora exponencial ao longo dos próximos anos’’. Mesmo assim, afirmou, a reforma previdenciária é a mais importante para as contas do governo a longo prazo e a tarefa é transformá-la de ‘‘um leque de riscos’’ para ‘‘um leque de oportunidades’’. Ele lembrou que o problema da Previdência já vem sendo tratado pelo governo há algum tempo e tem apresentado melhoras.
Ao falar da necessidade do governo de cortar gastos, Fraga afirmou que a reforma tributária é talvez a mais importante no âmbito da economia porque melhorará a competitividade e irá desonerar as exportações.
Fraga disse que também se surpreendeu com a velocidade da recuperação da economia brasileira. Para explicar essa recuperação, o presidente do Banco Central citou o baixo nível de alavancagem do setor privado, o baixo grau de risco das empresas, a desvalorização cambial e o fato de que, entre novembro e dezembro, o Brasil já estava dando sinais de que tinha chegado ‘‘ao fundo do poço’’. Segundo Fraga, a recessão começou de fato em julho do ano passado.

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