Agência Estado
De Davos
Há um ano Armínio Fraga estava em Brasília, assumindo a presidência do Banco Central, enquanto o Brasil era assunto de piadas entre os participantes no Fórum Econômico Mundial. Fraga é o principal representante brasileiro neste ano, em Davos, e seu trabalho inicial, ontem, foi mostrar as perspectivas de uma economia em recuperação depois de uma grave crise cambial. O setor externo, segundo ele, está muito mais sólido e preparado para resistir a impactos.
Para começar, o governo deve amortizar neste ano US$ 3,9 bilhões e já captou US$ 1,75 bilhão em duas operações no mercado. As exportações começam crescer e o País deverá beneficiar-se com preços agrícolas melhores.
Praticamente inexiste no País capital externo de curto prazo, em condições de sair de uma hora para outra. Os créditos de curto prazo são vinculados a operações comerciais e mais estáveis que as aplicações especulativas. No ano passado, o investimento direto estrangeiro, acima de US$ 29 bilhões, foi mais que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente, pouco superior a US$ 24 bilhões.
Esse quadro, segundo Fraga, permite alguma tranquilidade em face de uma possível alta de juros nos Estados Unidos, com o risco normal de alguma redução da oferta de dinheiro. Ele reafirmou a expectativa de crescimento econômico próximo de 4% neste ano, com preços ao consumidor subindo cerca de 6%.