Brasília – O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, explicou ontem que a decisão de antecipar a mudança na forma de marcação dos ativos dos fundos de investimento de renda fixa teve como objetivo dar maior transparência aos fundos e proteger os pequenos investidores. Segundo ele, a intenção foi evitar que grandes investidores pudessem resgatar cotas de fundos ainda não enquadrados nas novas regras e, com isso, jogar o eventual prejuízo que a adaptação provocaria sobre os pequenos investidores.
‘‘O grande investidor tem informação suficiente para saber que a cota de um fundo pode estar com o valor acima do real em razão de a regra de marcação dos ativos ainda não obedecer a sistemática de marcação a mercado. Com isso, ele poderia sacar seus recursos e deixar o prejuízo para o pequeno investidor’’, afirmou Fraga, durante exposição na CPI da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), na Câmara dos Deputados.
O presidente do BC disse ter certeza de que a instabilidade provocada no mercado pela perda de recursos de investidores é transitória e que a normalidade voltará com o tempo. Disse também que tensões causadas pela sucessão presidencial ‘‘são normais’’, mas considerou ‘‘exagerada’’ a ansiedade existente no mercado financeiro. Na sua avaliação, o mercado teme a descontinuidade da política econômica do atual governo, mas, na medida em que fique claro que o próximo governante irá preservar a base de transparência e responsabilidade no trato das questões fiscais, esse nervosismo vai passar.
Segundo o presidente do BC, as novas regras dos fundos de renda fixa promoverão no futuro uma nova definição de produtos financeiros para os investidores. ‘‘Os que querem certeza absoluta da rentabilidade, sem correr riscos com as oscilações de preços, terão um produto com menor rentabilidade. Já os investidores de mais longo prazo poderão investir em outro produto, onde terão o risco da oscilação, mas com a possibilidade de retorno maior.’’

mockup