O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que o repasse da alta do dólar aos preços neste ano teve peso ''superior a dois pontos percentuais'' na composição do índice oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE que, ele avalia, ficará na casa dos 7%.
A informação de Fraga foi dada em resposta a uma pergunta sobre as razões para a inflação permanecer baixa apesar da alta desvalorização cambial ocorrida em 1999 e neste ano.
Ele disse que o BC fez um estudo sobre o tema e constatou, entre outras coisas, que o nível inicial de inflação (antes da alta do dólar) e a percepção da existência de ''exagero'' no comportamento da taxa de câmbio são fatores importantes para avaliar o grau de contaminação dos preços.
O nível inicial da inflação teria sido particularmente importante em 1999, quando o câmbio variou, na média, cerca de 50%. O IPCA de 1998 havia sido de 1,65%. Em 1999, ele chegou a 8,94%.
Neste ano, Fraga avalia que, entre outras coisas, o Brasil se beneficiou da existência de capacidade ociosa na indústria e do ajuste prévio da demanda (alta dos juros para frear a economia), que teriam evitado a alta dos preços não-administrados.
O presidente do Banco Central disse que 2001 ''foi um ano de ajustes'' o câmbio, segundo ele, variou de 25% a 30% que estão sendo superados, mas que ainda não há ''espaço para grandes comemorações''.
Ele disse que o crescimento ficará ''em torno de 2%'' e que a inflação, mesmo superando a meta (o número perseguido não poderia passar de 6%), ficará em um patamar ''suportável diante dos problemas de energia e de câmbio''.

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