Fraga desmente que Soros teve acesso à informação privilegiada
O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga Neto, desmentiu ontem, em Washington, a informação contida em artigo do economista americano Paul Krugman, do Massachusetts Institute of Technology, publicado na revista eletrônica Slate, segundo a qual o conhecimento de que sua nomeação era iminente teria sido usado por seu ex-patrão, o megainvestidor George Soros, para ganhar dinheiro com a crise brasileira apostando na valorização dos papéis da dívida brasileira - os Bradies - quando o mercado fazia a aposta contrária. A premissa de Krugman está errada, disse Armínio a Agência Estado, falando de sua casa em Nova Jersey, onde passa os feriados do carnaval cuidando da mudança para Brasília.
Na sexta-feira, dia 29 de janeiro, quando voltei da viagem que fiz a Brasília, na qual estive com o presidente Fernando Henrique e com os membros da equipe econômica, não havia ainda sido sondado e muito menos convidado para o Banco Central, disse Armínio. Recebi a primeira sondagem , do secretário-executivo do ministério da Fazenda, Pedro Parente, no sábado, e o convite, do presidente da República, no domigno. Fui ao meu escritório no Soros logo cedo e pedi demissão.
Fontes do mercado estranharam que Krugman tenha baseado sua informação em rumores e notaram que o próprio economista, que é extremanente zeloso de sua reputação, tomou o cuidado de distanciar-se do boato que ajudou a espalhar colocando-o não no corpo de seu artigo sobre a crise brasileira mas num link, ou apêndice eletrônico, no qual a informação aparece sem sua assinatura. Um operador do mercado em condições de saber disse ao Estado que o que Krugman identificou como fonte de sua informação não passa de rumor. De acordo com essa fonte, Soros não comprou Bradies brasileiros na sexta-feira, dia 29 de janeiro, ou nos dias que precederam a nomeação de Armínio para o BC. O ministério da Fazenda também desmentiu os boatos mencionados por Krugman. É um absurdo qualquer insinuação dessa natureza, disse Pedro Parente.ArquivoSem privilégiosO presidente do BC, Fraga Neto, nega que Soros tivesse acesso à informações privilegiadasPaulo Sotero
Agência Estado





