Fraga defende subsídio para tomador de empréstimo do SFH
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Márcio Juliboni Agência Estado 
São Paulo - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defendeu a adoção de subsídio explícito aos tomadores de empréstimo para aquisição de moradias pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH). O mecanismo prevê o abatimento na base de cálculo do Imposto de Renda dos juros incidentes nas prestações do contrato. Essa é uma idéia que defendo, mas temos de identificar de onde virão os recursos para o subsídio, disse Fraga.
Segundo ele, a proposta atende à necessidade de reativar o crédito imobiliário com recursos da poupança. No ano passado, enquanto o crédito pessoal cresceu 12%, os financiamentos imobiliários caíram 38%, embora os depósitos em caderneta de poupança tenham subido de R$ 111 bilhões para R$ 118 bilhões.
O subsídio é defendido há tempos pelo mercado imobiliário, mas é a primeira vez que uma autoridade monetária elogia publicamente a idéia. Para os empresários, o subsídio aumentará os negócios do setor.
Nossos cálculos prevêem queda de até 20% no valor dos imóveis se a medida for adotada, afirmou o vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes. Com preços menores, uma maior fatia de interessados poderia adquirir seu imóvel.
Os empresários acreditam que a idéia é oportuna porque permite operar com o financiamento imobiliário, ainda que com juros elevados. O próprio presidente do BC reconheceu que as taxas de juros demorarão para chegar a níveis baixos, desde que mantidas as atuais condições econômicas.
Captação - O presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Amésio Abdala, elogiou a proposta, mas criticou a intenção de Fraga de transferir todos os subsídios da ponta da captação de recursos para a do tomador. Conforme Abdala é preciso ter um período de transição entre os dois modelos.
Fraga participou ontem de almoço com empresários na sede do Secovi-SP. Ele estava acompanhado do diretor de Normas do banco, Sérgio Darcy.


