Rio - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez ontem declarações que inicialmente foram interpretadas pelo mercado como uma linha contrária aos sinais de queda de juros dados pelo recentemente pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, e pelo diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn. Em entrevista coletiva no BC, durante seminário que marcou os três anos de meta de inflação, Fraga afirmou que a questão da demanda é um elemento a ser considerado nas decisões do banco sobre a política monetária. Mas ponderou, ao listar os fatores que devem ser considerados na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quarta-feira, que este não é o ‘‘único’’ elemento.
‘‘É assim que deve ser interpretado: nós olhamos todas as variáveis que impactam a trajetória futura da inflação para tomarmos nossas decisões’’, afirmou, destacando que avaliação neste sentido, feita recentemente por Goldfajn, não foi muito diferente das entrevistas que ele próprio, Fraga, concedeu nos últimos dias. Também presente à coletiva, Goldfajn reforçou a posição do presidente do banco.
‘‘A questão da demanda é importante assim como outras’’, disse o diretor do BC, lembrando que os dados que indicam uma desaceleração da atividade econômica em março vêm subsidiando outros indicadores anteriores neste sentido. As declarações contribuíram para uma alta de 0,36% na cotação do dólar ontem.
Mas as intervenções de Fraga durante o seminário seguiram um tom bastante otimista com relação ao comportamento da economia nos próximos anos. Apesar de reconhecer que, depois de um movimento inicial de reação, a economia doméstica começa dar sinais de ‘‘arrefecimento’’, ele considera factível um nível de crescimento regular superior a 3% nos próximos anos. ‘‘É muito cedo ainda para prever o que vai ocorrer no futuro e tenho sempre uma visão positiva sobre isto. O que posso dizer é que este fenômeno é conjuntural, não estrutural’’, afirmou.
A taxa de crescimento do PIB acima de 3% ao ano foi utilizada para projeções apresentadas pelo economista Affonso Celso Pastore durante o seminário. ‘‘Sou otimista e acredito que qualquer candidato que ganhar as eleições vai querer ter uma solução boa para o País’’, disse Fraga. ‘‘Há uma leitura de crescimento confundido com a conjuntura dos últimos 12 meses e que não faz justiça ao trabalho que foi feito’’, completou. Ele salientou que 2001 foi um ano com uma série de problemas e ‘‘não é correto extrapolar o baixo crescimento dos últimos três anos, como se isso fosse uma tendência’’.
Para Fraga, uma tendência próxima do crescimento do ano de 2000 (4,5%) ‘‘é mais possível’’. De acordo com ele, o fato de o Brasil ter crescido 1,5% em 2001, ‘‘com aquele pano de fundo, foi até razoável’’. Ele argumentou também que não acha adequado adotar um núcleo da inflação como referência para o sistema de metas no lugar do IPCA, a partir de junho.

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