A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) ganhou mais um forte opositor dentro do governo: o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele disse ontem, no Rio, que ‘‘a CPMF é o inimigo da formação de capital de poupança no País’’ e que ‘‘como está não dá para continuar’’.
A expectativa de Fraga é que a reforma tributária corrija as distorções da CPMF, imposto que incide sobre os débitos em conta corrente. Há duas semanas a alíquota da CPMF caiu de 0,38% para 0,30%, patamar em que deverá ficar até junho de 2002.
O presidente do BC disse que a necessidade de mudar o chamado ‘‘imposto sobre o cheque’’ já é um ‘‘consenso’’ porque se trata de algo que ‘‘inviabiliza o mercado de capitais’’. Ele disse que a discussão ‘‘está em aberto’’ e não detalhou propostas, além do que foi discutido há cerca de dois meses, sobre uma possível introdução de uma alíquota pequena e compensável. Fraga foi um dos palestrantes de um seminário com agentes do mercado financeiro, no Rio.
Sobre as perspectivas do País, Fraga reafirmou a sua crença na retomada de taxas maiores de crescimento, sem especificar projeções. Disse que ‘‘o Brasil já pode sonhar com taxas de crescimento superiores às da inflação’’ e que os esperados reajustes das tarifas administradas (telefone, energia e combustíveis) não estão comprometendo a folga esperada na meta de inflação para este ano, que é de 6%. A inflação é um dos principais indicadores para o governo decidir baixar os juros básicos da economia, que caíram para 17,5% há dez dias.
Fraga não quis comentar o futuro preocupante dos bancos federais traçado por um estudo da consultoria Booz Allen & Hamilton, contratada pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). ‘‘É uma questão polêmica e eu seria leviano se desse uma opinião rápida sobre o assunto’’, respondeu. Segundo a consultoria, os cinco bancos federais poderão trazer um prejuízo de R$ 1,3 bilhão ao caixa da União entre 2003 e 2005. Fraga reconhece, porém, que a ‘‘pesada estrutura’’ dos bancos federais – Caixa Econômica, Banco do Brasil, o próprio BNDES, o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste – é um problema do conhecimento público.
CrescimentoO Banco Central (BC) do Brasil prevê, para este ano, um crescimento de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que as taxas de juros se manterão nos 17,5% atuais, segundo o informe sobre a inflação correspondente ao segundo trimestre do ano, divulgado ontem pela entidade. No informe do primeiro trimestre, a projeção de crescimento para este ano era de 3,7%, com taxas de juros de 19%.
Em 20 de junho passado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu reduzir as taxas de juros em um ponto para fixá-las em 17,5%, a cifra mais baixa desde março passado, quando estava em 45%. Os analistas esperam que o banco anuncie em breve uma nova redução das taxas de juros, depois da decisão da Reserva Federal Americana (Fed), na quarta-feira, de manter sua principal taxa de juros.

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