Fraga critica a CPMF e diz que 'assim, não dá pra ficar'
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sexta-feira, 30 de junho de 2000
Agência Folha Do Rio 
A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) ganhou mais um forte opositor dentro do governo: o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele disse ontem, no Rio, que a CPMF é o inimigo da formação de capital de poupança no País e que como está não dá para continuar.
A expectativa de Fraga é que a reforma tributária corrija as distorções da CPMF, imposto que incide sobre os débitos em conta corrente. Há duas semanas a alíquota da CPMF caiu de 0,38% para 0,30%, patamar em que deverá ficar até junho de 2002.
O presidente do BC disse que a necessidade de mudar o chamado imposto sobre o cheque já é um consenso porque se trata de algo que inviabiliza o mercado de capitais. Ele disse que a discussão está em aberto e não detalhou propostas, além do que foi discutido há cerca de dois meses, sobre uma possível introdução de uma alíquota pequena e compensável. Fraga foi um dos palestrantes de um seminário com agentes do mercado financeiro, no Rio.
Sobre as perspectivas do País, Fraga reafirmou a sua crença na retomada de taxas maiores de crescimento, sem especificar projeções. Disse que o Brasil já pode sonhar com taxas de crescimento superiores às da inflação e que os esperados reajustes das tarifas administradas (telefone, energia e combustíveis) não estão comprometendo a folga esperada na meta de inflação para este ano, que é de 6%. A inflação é um dos principais indicadores para o governo decidir baixar os juros básicos da economia, que caíram para 17,5% há dez dias.
Fraga não quis comentar o futuro preocupante dos bancos federais traçado por um estudo da consultoria Booz Allen & Hamilton, contratada pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). É uma questão polêmica e eu seria leviano se desse uma opinião rápida sobre o assunto, respondeu. Segundo a consultoria, os cinco bancos federais poderão trazer um prejuízo de R$ 1,3 bilhão ao caixa da União entre 2003 e 2005. Fraga reconhece, porém, que a pesada estrutura dos bancos federais Caixa Econômica, Banco do Brasil, o próprio BNDES, o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste é um problema do conhecimento público.
CrescimentoO Banco Central (BC) do Brasil prevê, para este ano, um crescimento de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que as taxas de juros se manterão nos 17,5% atuais, segundo o informe sobre a inflação correspondente ao segundo trimestre do ano, divulgado ontem pela entidade. No informe do primeiro trimestre, a projeção de crescimento para este ano era de 3,7%, com taxas de juros de 19%.
Em 20 de junho passado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu reduzir as taxas de juros em um ponto para fixá-las em 17,5%, a cifra mais baixa desde março passado, quando estava em 45%. Os analistas esperam que o banco anuncie em breve uma nova redução das taxas de juros, depois da decisão da Reserva Federal Americana (Fed), na quarta-feira, de manter sua principal taxa de juros.


