Em meio ao acirramento da crise argentina, o governo brasileiro tratou ontem de enterrar as turbulências de 2001 e comemorar as perspectivas bastante otimistas para 2002. ''O Brasil tem que se descolar do seu passado de alto risco muito mais do que de outros países. Acredito que é isso o que está acontecendo'', afirmou o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga.
Em uma entrevista coletiva para fazer o balanço de fim de ano, ele destacou a estabilidade no mercado cambial, o crescimento projetado de 2,5% no ano que vem, a taxa de investimento nos mesmos níveis dos anos 70, a inflação em queda para algo próximo a 3,7% e juros menores.
O conservadorismo do BC, que foi alvo de críticas ao longo do ano por não promover reduções na taxa de juros, foi ressaltado por Fraga como o grande responsável pela preservação do sistema de metas de inflação e do ajuste no balanço de pagamentos.
Depois das previsões otimistas, com projeções de crescimento do PIB em 2001 de até 5%, aumento dos investimentos e queda da inflação, o presidente do BC lembrou que o que se viu foi uma sucessão de choques que obrigaram o governo a ter um postura mais preventiva. ''Tomamos a decisão de tirar o pé do acelerador. Era como um automóvel que vinha andando com pneu liso, choveu e foi preciso tomar cuidado para não derrapar e capotar'', disse Fraga. ''Foi bom ter agido de modo preventivo'', afirmou. Para Fraga, considerando a mudança no contexto internacional, onde a Argentina e os Estados Unidos dominaram a cena, e os choques internos, como a crise de energia, registrar um crescimento de 2% da economia é mais do que satisfatório. Para 2002, levando em conta juros em 19% ao ano e taxa de câmbio no patamar de R$ 2,35, a previsão é de crescimento de 2,5%, na média. O que significa uma elevação da produção industrial em algo entre 4% e 5% no ano. ''Num cenário razoável, com juros em queda e inflação menor, esse crescimento pode ser ainda maior'', afirmou Fraga.

mockup