O presidente do Banco Central brasileiro, Arminio Fraga, se encontrou ontem, em Buenos Aires, com o ministro de Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov. Fraga deu ênfase ‘‘à importância de se ter compromisso fiscal com ajustes do gasto público e uma firme política monetária que evite desnecessárias emissões de moeda.’’.
Na conversa, que durou duas horas, Lenicov esteve acompanhado pelos principais integrantes de sua equipe. Segundo uma fonte do Ministério da Economia brasileiro, Armínio Fraga manifestou apoio às medidas econômicas adotadas por Remes Lenicov por considerá-las ‘‘adequadas para um período de transição até chegar à flutuação cambial prevista para daqui a uns quatro ou cinco meses.’’
O presidente da instituição, acompanhado do diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, discutiu, entre outras coisas, a experiência do Brasil com o regime de metas para a inflação. Outro assunto detalhado foi a forma de funcionamento do Comitê de Política Monetária (Copom) e sua importância para o BC e as decisões de política monetária.
A transição para o regime de câmbio flutuante, feita no Brasil em 1999, também foi abordada nos encontros mantidos por Fraga e Figueiredo na capital argentina.
FMI O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental, Claudio Loser, garantiu anteontem que a instituição está ‘‘disposta a ajudar’’ o governo argentino, depois de admitir que ‘‘houve algumas falhas’’ nas receitas recomendadas pelo FMI ao país. ‘‘A comunidade internacional tem todo o interesse em que a Argentina possa sair dessa situação tão crítica’’, disse Loser em entrevista à rádio portenha Mitre. ‘‘No contexto de um programa coerente como o que estão elaborando, é razoável ajudar a Argentina.’’ - Sobre as críticas que o FMI vem recebendo por causa de suas receitas econômicas, Loser disse que ‘‘é fácil pôr a culpa em um ente de fora e não olhar para dentro’’, argumentando que ‘‘a responsabilidade tem de ser compartilhada nos níveis nacional e internacional’’.

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