Fraga aponta fim do nervosismo
Agência Estado
De Brasília
O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga Neto, disse ontem que o nervosismo vivido pelo mercado de câmbio nas últimas seis semanas está chegando ao fim. Ele justificou as pressões que levaram o BC a invervir no mercado de câmbio na anteontem, salietando que é natural que regimes flutuantes passem por fases nervosas. Mas garantiu que estas pressões são sazonais e que o país tem condições de passar por estas fases.
Numa avaliação que destacou ser técnica, o presidente do BC disse ainda que o atual regime de câmbio flutuante é o mais indicado para o Brasil. Isso porque, segundo ele, promete mais estabilidade e previsibilidade, além de amortecer choques externos e internos. As pressões, na avaliação de Fraga, ocorrem no momento em que o novo regime cambial está amadurencendo no país.
Em palestra durante seminário promovido pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e pelo Instituto Tancredo Neves, no Senado Federal, na manhã de ontem, Fraga fez também uma avaliação do atual quadro econômico do Brasil e garantiu que, nos últimos 18 meses, houve uma grande virada. Vejo um Brasil que atacou seus problemas e tem condições de voltar a crescer, afirmou. Até o final do ano e no próximo, segundo o presidente do BC, haverá surpresas positivas em relação ao desenvolvimento do país.
Provocado pelo economista Paulo Rabello de Castro que também participou do seminário e acusou o governo de gastar excessivamente, o presidente do BC não rebateu preferindo concordar com a necessidade de reavaliar o gasto público. Pois, segundo ele, hoje estes gastos são quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) sem considerar os juros. Para Fraga, combinar desenvolvimento com distribuição de renda, como pregou Castro, não é uma discussão, mas um objetivo nacional.
Numa lista das prioridades para a retomada do crescimento, o presidente do BC disse que em primeiro lugar está a reforma tributária. A reforma vai ser uma limpeza porque o atual sistema tributário atrapalha o desenvolvimento. Por isso, segundo ele, a reforma tributária está no topo da lista de prioridades. Em lugar lugar, avaliou, é necessário reduzir o custo do capital. Ele disse que as medidas divulgadas pelo Banco Central há 15 dias para reduzir os juros são apenas uma primeiro passo que deve ser complementado pelo Ministério da Fazenda.
Sem citar os instrumentos ou mecanismos que poderão ser usados pelo ministério, o presidente do BC disse apenas que vem coisa aí, mas salientou que o objetivo é estimular a poupança de longo prazo.
Voltando a concordar com Castro, o presidente do BC considerou que, a terceira prioridade, é a privatização. E pregou que é necessário aumentar os horizontes da privatização. Pois, segundo ele, a privatização casa bem com a idéia da poupança de longo prazo.





