O novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, elogiou Gustavo Franco em seu discurso na solenidade de transmissão de cargo, mas apontou fragilidades na política econômica do antecessor. Fraga incluiu a vulnerabilidade das contas externas entre ‘‘as raízes da crise atual’’, ao lado das turbulências internacionais, do déficit fiscal e de questões de política interna, como derrotas no Congresso e moratória de Minas Gerais.
Ao discursar, Franco não citou o déficit externo como um detonador da crise, sublinhando apenas os três outros motivos apontados por Fraga. Pelo contrário, Franco criticou quem aponta a sobrevalorização cambial como um ‘‘mal de origem’’ do Plano Real. ‘‘O déficit em nossa conta corrente do balanço de pagamentos vinha aumentando mesmo com a economia em recessão’’, Fraga acrescentou que todos esses problemas levaram à ‘‘percepção de que tínhamos uma trajetória de dívida interna insustentável e que o balanço de pagamentos não era financiável’’.

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