Agência Estado
De São Paulo
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou ontem a investidores dos Estados Unidos reunidos em seminário no Itamaraty que os investimentos diretos no Brasil este ano totalizarão US$ 26 bilhões e serão suficientes para financiar o déficit em transações correntes. A última estimativa feita pelo BC para os investimentos diretos havia sido de US$ 25 bilhões. De acordo com Fraga, por serem de longo prazo, estes recursos são os mais adequados para financiar o déficit em transações correntes (operações de comércio e serviço que o País realiza com o exterior).
Fraga disse ontem que o País praticamente não tem recursos externos de curto prazo. Mas garantiu que o governo brasileiro não tem qualquer intenção de restringir a entrada destes capitais. Segundo destacou, estes recursos funcionam como uma espécie de colchão para o amortecimento de variações externas. Ele afirmou que, por ter trabalhado com a aplicação de capitais de curto prazo quando estava no Fundo Quantum, do grupo de George Soros, sabe que não se pode confiar nestes recursos para o financiamento das transações correntes. ‘‘É mais adequado financiar o déficit em transações correntes com investimento direto’’, assegurou.
No seminário para os investidores americanos que também teve a presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente do BC salientou que a grande preocupação do País hoje é a dívida doméstica, pois segundo ele, considerando o cenário externo, não há grandes vulnerabilidades que ameacem o Brasil. Mesmo assim, Fraga garantiu que o governo brasileiro ‘‘não está totalmente descontraído’’. E disse que ‘‘ainda é cedo para comemorar vitória’’.
Voltando ao aspecto interno, ele disse que o governo está conseguindo alongar o prazo de vencimento de sua dívida. Mas destacou que ainda é necessário ficar atento à questão fiscal.

mockup