O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse ontem, após encontro com investidores estrangeiros em Nova York, que está confiante na Argentina e otimista com o fato de que os argentinos estão buscando respostas para as dificuldades conjunturais. Ele considera que, apesar do sentimento negativo do mercado no momento, não devem ser feitas previsões alarmantes sobre o desfecho da crise no país vizinho.
‘‘Não se deve jogar a toalha. As pessoas deveriam saber que o povo argentino não deverá abandonar as conquistas dos últimos dez anos’’, disse, referindo-se ao sistema de paridade cambial adotado nos anos 90.
Fraga ainda ressaltou que sua principal mensagem na reunião foi a de que o Brasil não é um país em rota de crise e que as reformas políticas adotadas nos últimos anos dão segurança para o governo saber que as dificuldades atuais são temporárias. ‘‘Resolvemos nosso problema do déficit previdenciário, temos um grande superávit primário e realizamos outras reformas que mostram que não temos o mesmo perfil de países que entraram em crise na Ásia.
O Brasil não tem um sistema bancário com problemas de dívida, como o que havia em muitos países asiáticos na crise de 1997’’, afirmou Fraga. Questionado sobre um choque de juros no Brasil, Fraga não comentou, dizendo apenas que essa é uma matéria para as reuniões do Comitê de Política Monetária.

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