Brasília – O acirramento do conflito no Oriente Médio, que puxou para cima o preço do petróleo nos últimos dias, tem um impacto ‘‘relevante’’ sobre a inflação no Brasil e reduz a margem de manobra do Banco Central para reduzir juros, segundo admitiu o presidente do BC, Armínio Fraga.
Ao ser questionado, durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, sobre os reflexos para o País da crise entre israelenses e palestinos, Fraga disse que o governo tem certa flexibilidade para lidar com o problema mas, para ele, melhor seria que o preço do petróleo estivesse caindo.
‘‘O impacto na inflação é relevante, mas sendo um choque da família dos choques de oferta isso nos dá alguma flexibilidade. Melhor seria que fosse o oposto, que o preço (do petróleo) caísse, que os impactos secundários fossem positivos e que isso nos desse folga para reduzir juros’’, afirmou. ‘‘Infelizmente, isso come um pouco o nosso espaço (de corte na taxa)’’, completou em seguida.
A maior preocupação do BC, segundo ele, é com o impacto secundário da crise, ou seja, no reflexo que a alta do petróleo pode ter para outros preços na economia. No entanto, Fraga afirmou que ainda é cedo para fazer projeções do tamanho desse impacto no IPCA, o índice que serve de referência para o regime de metas de inflação, na taxa de juros.
Depois do teste que a economia foi submetida em 2001, o presidente do BC ficou mais otimista e acredita que o País tem condições de não só superar mais um momento difícil, mas também de caminhar para uma fase de crescimento econômico mais acelerado. ‘‘Temos um potencial muito grande. Estamos a poucos passos de uma era de crescimento’’, afirmou.

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