O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu que um reajuste no fim deste ano ou no ano que vem é inevitável se o petróleo continuar com preço alto. ‘‘Por enquanto não existe nenhuma decisão. Mas é evidente que se petróleo continuar acima de US$ 30 em algum momento será feito algum reajuste, mas como, quanto, quando, e se é que vai ter, eu não sei’’, disse Fraga.
‘‘No nosso relatório de inflação, decidimos incluir um aumento nos combustíveis no fim do ano, inclusive, para que ninguém nos acuse de tapar o sol com a peneira’’, afirmou. O aumento que aparece no relatório de inflação é de 5%.
Fraga reconhece que se o reajuste de combustíveis for dado não este ano, mas no ano que vem, o espaço para que a inflação de 2001 fique dentro do centro da meta, que é de 4%, diminui. ‘‘Sem dúvida. Mas não creio que esse seja critério para decidir reajuste, tem que ser critério de impacto fiscal e microeconômico’’.
A cotação do petróleo avançou fortemente ontem no mercado futuro de Nova York, depois da chegada de uma onda de frio nos Estados Unidos e dos eventuais riscos de uma guerra no Oriente Médio. O barril de referência (light sweet crude), para entrega mais próxima em novembro, ganhou 1 dólar tendo sido cotado a 31,86 dólares. Havia avançado 33 centavos a 30,86 dólares sexta-feira. ‘‘De uma parte, a chegada do frio fez o mercado recordar que as reservas de combustível doméstico são inferiores às normais no inverno (boreal); por outra parte os operadores temem que as tensões no Oriente Médio degenerem na região’’, destacou Chris Schachte, analista da GSC em Atlanta.
Conta-Petróleo O governo está revendo para US$ 28 a projeção do preço médio do barril do petróleo no mercado internacional no ano 2000. A previsão anterior, feita em julho, era de US$ 27. Para manter o novo número, os técnicos esperam que o preço do produto mantenha-se estável em US$ 30 até o fim deste ano. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, deverá receber hoje os estudos com a nova perspectiva.
Contrariando o que afirmou ontem o presidente do BC, autoridades do governo negaram ontem que esteja em estudo, no momento, um novo reajuste de preço para os combustíveis. No entanto, diferentemente de 1999, neste ano a Parcela de Preço Específica (PPE, diferença entre o preço dos combustíveis no exterior e o cobrado no mercado interno) deverá apontar déficit estimado, por enquanto, em R$ 530 milhões. Esse resultado contrariaria a expectativa de conseguir um saldo positivo de R$ 800 milhões no ano.