Fracionados devem chegar às farmácias em 60 dias
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A população vai ter que esperar pelo menos 60 dias para ter a sua disposição nas farmácias o medicamento fracionado. Embora a resolução 135 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha sido publicada recentemente no diário Oficial da União, as farmácias e laboratórios farmacêuticos terão que fazer algumas adequações estruturais e nas embalagens dos medicamentos. A resolução define as regras para o fracionamento e os estabelecimentos deverão pedir a inclusão do serviço à vigilância local e à Anvisa.
O prazo de 60 dias é estimado pelo Instituto Brasileira de Defesa do Consumidor (Idec) e pela Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma). Segundo a advogada do Idec, Lumena Sampaio, o fato do serviço não ser obrigatório, não será problema para os laboratórios que já estão percebendo o potencial competitivo. ''Hoje, já existe uma demanda grande pelo medicamento fracionado. É um diferencial no mercado competitivo'', diz Lumena,
Na opinião da advogada, as alterações nas embalagens dos medicamentos - que têm sido colocada como um dos obstáculos pelas farmácias - não são de difíceis adaptação. Hoje, os laboratórios já trabalham com modelos de blisters para os medicamentos de venda livre e embalagens grandes utilizadas em hospitais.
Como a resolução é recente, de 20 de maio, a advogada recomenda o consumidor a enviar e-mail telefonar para a ouvidoria da Anvisa pedindo agilidade no processo. No site do Idec, uma pesquisa apontou, segundo ela, que 64% dos entrevistados pela ''Boca do Trombone'' são favoráveis ao fracionamento. ''Desde o início, o Idec apoiou o fracionamento por várias razões, entre elas o custo menor'', explica Lumena, lembrando que, com as embalagens adequadas, não haverá sobra ou falta de medicamento para o consumidor. ''A sobra estimula a automedicação e pode provocar a intoxicação. Muitas vezes as pessoas não observam o prazo de validade na caixa. A falta, significa que o tratamento não foi completo, podendo trazer complicações para o quadro clínico'', explica a advogada.
Em Londrina são 200 farmácias, mas nenhuma até agora mostrou interesse em trabalhar com o medicamento fracionado. Segundo o presidente do Sindicato das Farmácias de Londrina, Jeferson Proença Testa, as farmácias dependem das alterações nas embalagens que os laboratórios terão que fazer. ''Se os laboratórios não fizerem as mudanças nas embalagens, as farmácias não poderão fazer o fracionamento. Não se pode cortar a cartela de medicamento com uma tesoura. É preciso seguir uma série de critérios que garantam a segurança e qualidade do produto'', explica ele.
Além das embalagens, as farmácias interessadas em comercializar o fracionado também deverão fazer algumas adequações. É que para realizar o fracionamento, o estabelecimento deverá ter um ambiente exclusivo para a divisão dos medicamentos. Além disso, o consumidor deve ter condições de acompanhar o processo pelo lado de fora da sala, através de um vidro transparente.


