Fracassa tentativa de resgatar lavrador de poço
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Agência Estado 
BELÉM - O cadáver do lavrador aposentado Luís José de Sales, 61 anos, ainda deverá permanecer no fundo do poço de 17 metros, onde morreu, até a tarde de hoje, segundo informações do tenente Marco Aurélio Lopes, relações públicas do Corpo de Bombeiros do Pará. O aposentado, que também garantia o sustento da família limpando e cavando poços, embora soterrado até a altura do tórax, conseguiu resistir por 72 horas, mas morreu no meio da tarde de anteontem. Durante todo esse tempo foi alimentado apenas com leite e soro.
Cerca de 30 homens do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Civil, Exército e Aeronáutica, além de voluntários, permanecem no local de Tapiaí, no município de Igarapé-Açu, distante 135 quilômetros da Capital.
O tenente explicou que a retirada do corpo é sempre uma operação complicada porque oferece risco de vida à equipe de resgate. O terreno é arenoso, justificou. Enquanto o lavrador esteve vivo, informou, a técnica usada foi encamisar o poço, revestindo as paredes com fibra de vidro e folhas de zinco para evitar que os tijolos e argamassa voltassem a desabar. Também se pensou, em cavar um outro poço e um túnel ao lado. O engenheiro Enéas Pinheiro, voluntário na operação, desaconselhou argumentando que teria que ficar a uma distância de quatro metros, trabalho que consumiria mais de um dia.
Para o resgate do corpo do lavrador os homens do Corpo de Bombeiros tentaram escorar as paredes com madeira, mas a saída foi o envio para o local de um trator, tipo retroescavadeira, para aumentar o diâmetro do poço. Esse trabalho deve demorar pelo menos 24 horas, prevê o tenente.
Uma droga (ketalar) foi usada para amenizar a agonia do lavrador, acompanhada desde o meio dia de quinta-feira pela família e por cerca de 300 pessoas que se aglomeravam em volta do poço e pediam que ele acreditasse que iria sair vivo. Após a morte do lavrador, revoltada, sua família passou a acusar o Corpo de Bombeiros por sua morte ressaltando a falta de equipamentos adequado para a operação de resgate desse tipo.


