Buenos Aires – O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, admitiu o fracasso das negociações com os bancos para pôr fim ao chamado ‘‘corralito’’ financeiro, que mantém retidas as economias de milhares de argentinos. ‘‘Vamos fazer um reavaliação do problema, porque havia uma proposta que não satisfazia a ninguém e tinha um alto custo para o Estado’’, disse em uma entrevista publicada ontem pelo jornal ‘‘Clarín’’, de maior tiragem do país.
Estas restrições no acesso ao dinheiro dos bancos foram impostas a partir de dezembro e reforçadas em janeiro, quando foram reprogramados os vencimentos ou convertidos em pesos argentinos todos os certificados de depósitos a prazo fixo que estavam em dólares.
O governo propôs que os depósitos bancários fossem trocados por bônus do Estado com prazo de pagamento de dez anos, mas essa iniciativa encontrou uma forte resistência no Parlamento, inclusive entre os legisladores do governista Partido Justicialista (peronista).
A rejeição parlamentar a esse projeto de lei forçou há três semanas a substituição no Ministério da Economia de Jorge Remes Lenicov por Lavagna, que insistiu com a proposta, mas com a substancial diferença de que os bancos também sejam fiadores solidários dos bônus estatais.
Mas os banqueiros não se mostraram de acordo com o projeto governamental e exigiram do governo cerca de 12 bilhões de dólares em compensações pelas perdas na conversão em pesos dos créditos bancários que estavam em dólares.
‘‘Não estavam de acordo nem os bancos, nem os legisladores. Então avaliamos que a proposta tinha um custo fiscal muito alto’’, disse o ministro da Economia. Lavagna disse que o governo ‘‘repensará um esquema’’ para anular o ‘‘corralito’’, medida que é uma das principais causas dos contínuos protestos da população.
Centenas de poupadores com fundos retidos nos bancos vão diariamente ao centro de Buenos Aires em ruidosas manifestações e alguns, ‘‘armados’’ com martelos ou outros objetos descarregam sua ira contra as portas e janelas dos bancos.
Lavagna disse entender o ‘‘mau humor’’ da população e afirmou que não fará o mesmo que fizeram outros, ‘‘de esconder o lixo debaixo do tapete’’, pois o objetivo é ‘‘sair desse aperto’’ financeiro.
O ministro da Economia disse que nesta segunda-feira a atividade bancária e financeira será ‘‘normal’’ e atribuiu as versões que circularam sexta-feira passada sobre possíveis fechamentos de bancos à ‘‘exploração do nervosismo do povo’’ por certos elementos do mercado.
‘‘Houve dois mundos. Um real e de valores objetivos. Há vários dias que os bancos não pedem empréstimos ao Banco Central, o que reflete que não há problemas sérios. O outro mundo foi produto de rumores que intencionalmente foram amplificados’’, disse Lavagna.

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